terça-feira, 23 de agosto de 2011

Textos para 6a. série / 7o. ano - 4o. bimestre

13. O Brasil dos migrantes
Profa. Celina – Geografia – 6ª. série

Ao tratarmos dos fluxos migratórios, percebemos que o assunto das aulas de Geogra­fia diz respeito à história dos percursos de nossas famílias e da de amigos pelo território nacional. A mobilidade espacial da população está relacionada com os espaços de atração e repulsão, em função do maior ou menor grau de dinamismo econômico das diferentes regiões. Vamos discutir e analisar a dinâmica social e econô­mica do território brasileiro.

Os fluxos migratórios do ponto de vista do migrante
Os flu­xos migratórios são intensos e o Estado de São Paulo é um polo de atração populacional. Os deslocamentos populacionais entre os Estados nordestinos, de Minas Gerais e do Paraná para São Paulo eram mais comuns. Nas últimas décadas, ocorrem fluxos mais intensos da capital para o interior. Alguns fatores responsáveis pela migração são as condições de vida nos locais de origem e as novas oportunidades nos locais de destino.
Os mapas “Trajetória do trabalhador rural”, nas páginas 5 e 6 do caderno doaluno, foram elaborados a partir do relato de migrantes nordestinos, que resis­tem na condição de trabalhadores rurais em um país com intensas transformações no es­paço agrário. O mapa na página 5 representa um exemplo de situação vivida por muitos brasileiros, trata-se de tra­jetórias marcadas por um movimento pendular entre dois pontos definidos no espaço: de um lado, o espaço de residência da sua família, que vive em algum sítio mantido pela roça de subsistência; de outro, o espaço da produção agrícola comercial, para onde o trabalhador se dirige na época da colheita. O mapa da página 6 representa um exemplo de trajetórias marcadas pela permanência, quando os trabalhadores viajam sozinhos num primeiro momento, para depois, numa melhor oportunidade, promover a migração de seus familiares, fixando-se com a família no local escolhido para o destino.

Os fluxos migratórios
Observe as infor­mações da coleção de mapas “Migrações internas no Brasil, 1995-2000”, na página 8 do caderno do aluno. As setas representam as migrações entre as regiões (inter-regional) e os círculos mostram as migrações internas em cada região, como mudança de cidade (intra-regional). Atenção para a direção e a espes­sura das setas. A direção identifica as regiões de saída (repulsão) e de chegada (atração) de imigrantes, enquanto a espessura é proporcio­nal ao tamanho dos fluxos. Entre 1995 e 2000, o fluxo de migração inter-regional (entre regiões) mais intenso teve origem na Região Nordeste para as demais regiões (em verde, para a Região Norte, em marrom para a Região Centro-Oeste e a maior, em vermelho, para a Região Sudeste). O fluxo mais intenso de migrantes com destino à Região Sul partiu da Região Sudeste (seta lilás). A maior parte dos migrantes que deixou a Região Sudeste partiu para a Região Nordeste.
O fenômeno na coleção de mapas “Migrações internas no Brasil, 1995-2000” é uma represen­tação geral dos fluxos populacionais e os dois primeiros ma­pas “Trajetória do trabalhador rural” são representações de trajetórias individuais, mas que revelam maneiras diferentes de ser migrante.

14. As diferenciações no território

Ana­lisamos a intensa mobilidade espacial da popu­lação brasileira por meio de diferentes tipos de fluxos migratórios existentes entre regiões estagnadas e outras mais dinâmicas. O impacto das inovações tecnológicas no reordenamento territorial do país envolve mudanças nas relações en­tre o campo e a cidade e também na hierarquia urbana.
Vamos ler dois textos: “As férias na casa da avó materna”, página 12 do caderno do aluno, e “A mudança para o interior”, na página 13. Vamos identificar o percurso da família de João pelo território nacional, as razões da mudança da Bahia para Minas Gerais e, depois, de Minas Gerais para São Paulo, o que mudou na vida dele e na sua cidade de residência ao longo do tempo (intervalo de 30 anos - início dos anos 1970 ao final da década de 1990). Quais as vantagens e desvantagens de viver em diferentes cidades? Quais as características de cada época?
O que motivou essas mudanças? A oportunidade de emprego.
Entre 1970 e 1990, muita coisa mudou:
1.   Mudança de conectividade entre as cida­des e o encurtamento das distâncias por decorrência das inovações tecnológicas:
- no começo da década de 1970, não havia o acesso à internet (foi implan­tada em meados da década de 1990) e a comunicação por satélite não cobria todo o território nacional;
- o desenvolvimento da infraestrutura de transporte tornou o acesso entre as cidades mais rápido.
2.   Expansão do mercado de produtos indus­trializados e da sociedade de consumo por meio da rede de hipermercados e de shopping centers.
3.   Mudança nas relações entre as cidades pequenas e médias com a metrópole em decorrência dos aspectos anteriores.

A distribuição da infraestrutura
As inovações dos últimos 30 anos altera­ram os conteúdos tecnológicos do território brasileiro, revigorando as possibilidades de produção com os novos recursos da informa­ção, da ciência e da técnica. Daí a necessidade de introduzir gradativamente no ensino de Geografia as inúmeras combinações no meio geográfico decorrentes do acúmulo desigual de ciência e técnica.
Existe um maior acúmulo de infraestrutura e tecnologia nas unidades federadas do Centro-Sul do país, especialmente São Paulo e Rio de Janeiro. Qual é o impacto desse acúmulo desigual das inovações na rede urbana brasileira?

As cidades brasileiras
As cidades constituem, no momento atual, um elo entre o local de residência e as relações sociais e econômicas cada vez mais globalizadas. As cidades situadas na porção do território com maior acúmulo das inovações tecnológicas têm melhores condições de exercer esse papel (de cidade globalizada).
O mapa “Brasil: população urbana, 2000”, na página 16 do caderno do aluno, apresenta a distribuição da população urbana pelo território nacional e chama atenção para os círculos proporcionais indicados na legenda. Percebemos a relação entre o sistema viário e a distribuição da população pelo território: onde temos estradas (sistema viário), temos população, mesmo em pequena quantidade, como nas rodovias brasileiras pavi­mentadas, especialmente nas Regiões Norte e Centro-Oeste ou mesmo próximo ao Rio Amazonas, importante hidrovia da Região Norte.
Porém, as capitais com mais conteúdo de ciência e tecnologia são as localizadas no sul e sudeste (onde aconteceu o desenvolvimento em maior escala em todos os sentidos): São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Goiânia, Brasília, Curitiba e Porto Alegre.

15. A distribuição da atividade industrial no Brasil

Nesse capítulo, o tema proposto é a concentração e a descentralização do espaço industrial. A al­teração entre o campo e a cidade e a intensa mobilidade espacial da população foram refor­çadas pelo processo de industrialização e pelo papel ativo do Estado brasileiro na integração econômica do território nacional. O processo de interiorização foi impulsio­nado pela construção de Brasília e pelas políticas públicas de incentivo à atividade industrial, como a criação da Zona Franca de Manaus. O padrão desigual de produção científica e técnica reforçou o papel desempe­nhado pela cidade de São Paulo como centro polarizador da economia nacional.
Vamos di­ferenciar os tipos de indústria e compreender a importância de cada uma delas na compo­sição do Valor da Transformação Industrial (VTI), bem como o caráter indutor da inova­ção tecnológica no dinamismo do setor. Podemos começar, avaliando a diversidade de produtos industriais, presentes em nossa vida cotidiana, classificada na tabela “Classificação Nacional das Ativida­des Econômicas (CNAE)” adotada pelo IBGE, na página 18 do caderno do aluno.

A descentralização da atividade industrial
            Apesar da concentração da atividade industrial em São Paulo, existem vários municípios brasileiros com expressiva atividade industrial. Se observarmos nas embalagens de produtos que temos em casa, conferimos que eles são produzidos em vários municípios, em estados diferentes, apesar da concentração ser em São Paulo.

A concentração industrial brasileira
Apesar da existência de unidades fabris em todas as regiões brasileiras e a despeito da descen­tralização de algumas cadeias produtivas, como a do setor de vestuário e de calçados ou a de veícu­los automotores, a participação do Estado de São Paulo na produção industrial brasileira é a mais alta do país. Em razão do forte conteúdo de ino­vação tecnológica e do ganho de produtividade ocorridos na indústria paulista, e independente da descentralização industrial, estudos prevêem que a concentração das cadeias de comando da pro­dução em São Paulo será ainda maior na década de 2010.
O mapa “Brasil: localização de unidades fabris, 2000”, na página 24 do caderno do aluno,  nos revela que, apesar de uma forte concentração das unidades fabris na região Centro-Sul do país, é possível identificar estabelecimen­tos industriais em todas as unidades da federação.
No mapa “Brasil: localização de unidades fabris que inovam e diferenciam produtos, 2000”, na página 25 do caderno do aluno, foram localizadas apenas as unidades fabris com alta tecnologia. Essas empresas são aquelas que investem muito em pesquisa e no desenvolvimento de produtos diferenciados, modernizam o seu maquinário, a gestão empresarial e a logística e/ou pos­suem seu próprio departamento de marketing e gerenciamento de marcas.
Comparando os últimos dois mapas, identificamos as áreas industriais do país com maior capaci­dade de inovação e produção tecnológica: o Es­tado de São Paulo, particularmente nas pro­ximidades da capital, Rio de Janeiro (RJ), o entorno de Belo Horizonte (MG), de Curitiba (PR), de Porto Alegre (RS), entre outros.
Vamos analisar o impacto desse conteúdo técnico na produção do Valor da Transformação Indus­trial (VTI), valendo-se dos dados da tabela “Distribuição geográfica das AIEs, 2000”.
As áreas industriais estratégicas (AIEs) foram selecionadas dos municípios de cada região do país que apresentam unidades fabris com inovação tecnológica (primeira e segunda coluna). Por exemplo, no Sul temos 5 AIEs que englobam 66 municípios. A participação no Valor da Transfor­mação Industrial (VTI) refere-se à porcentagem da riqueza gerada pela indústria de cada área no valor total do país.
As áreas industriais estratégicas estão localizadas em apenas 254 municípios brasileiros (de um total de aproximadamente 5 500); esse pequeno número de municípios concentra 75% do Va­lor da Transformação Industrial (VTI) do país, e a cidade de São Paulo e seus municí­pios vizinhos (120) formam a área de maior destaque, concentrando 42% do VTI.



16. Perspectivas do espaço agrário brasileiro

A organização do espaço agrário brasileiro pode ser relacionada com a industrialização do país e as mudanças ocorridas na relação entre o campo e a cidade. A mobilidade espacial da população pode ser associada às mudanças da rede urbana e às interações entre as áreas de maior dinamismo e outras, marcadas pela estagnação econômica.
Para a aber­tura do tema, vamos analisar os mapas “Brasil: pecuária (bovinos), 1995” e “Brasil: pecuária (bovinos), 2006”, nas páginas 28 e 29 do caderno do aluno, re­lacionados com a ocupação do território brasi­leiro pela pecuária, em 1995 e em 2006. Identificamos as transformações que ocorreram na ocupação do território brasileiro no intervalo de dez anos: ocor­reu a expansão da pecuária em direção à Amazônia, particularmente com destaque para Rondônia e sul do Pará. Associado a expansão, o aumento do desmatamento da Floresta Amazônica e a diminuição do trabalho na terra.
 

O aumento da produtividade rural
O aumento da produtividade do estabeleci­mento rural por meio da incorporação de técni­cas mais eficientes, da mecanização e do uso de insumos agrícolas é um mecanismo importante para analisar o espaço agrário brasileiro.
Um gráfico que podemos anali­sar é o “Brasil: evolução do pessoal ocupado e do número de tratores”, na página 30 do caderno do aluno. Comparem a evolução do número de tratores e do número de pessoal ocupado nos estabelecimentos rurais do Brasil entre 1970 e 2006. Esse tipo de gráfico (gráfico de linhas) é uti­lizado para mostrar a mudança de uma variável com referência à outra. O dado de cada ano é localizado no cruzamento das variáveis dos eixos (ano e número de pessoas ou tratores); a linha é a junção dos pontos assinalados. Não é difícil perceber que ocorreu no Brasil um movimento inversamente proporcional entre o crescimento do número de tratores e a diminuição de pessoal ocupado nas atividades agropecuárias.
            Tanto para a agricultura como para a pecuá­ria, as transformações começaram a ocorrer na década de 1980, o que se refletiu nos da­dos a partir da década de 1990. Diferentemente da pecuária, que aumentou sua produtividade mesmo com perda de área de pas­tagem, a agricultura continua ampliando a área cultivada, além do ganho de produtividade.

Os conflitos no campo
A dinâmica territorial do país envolve as relações sociais entre diferentes segmentos da sociedade brasileira. Vamos ler breves relatos da vida de alguns brasileiros nas páginas 35 e 36 do caderno do aluno. Os relatos representam posições parciais de cada um dos segmentos envolvidos nessa dinâmica: um empresário do campo, um latifundiário, um trabalhador rural sem-terra, um bóia-fria e um pequeno produtor e em qual área do país ele poderia viver. Uma vez feita a correspondência entre as falas e o sujeito social, escreva quem está falando.
Possíveis relações en­tre eles podem existir: o bóia-fria se relaciona com o empresário do campo porque trabalha em sua lavoura, na colheita da cana; o empresário do campo pode acabar comprando as terras do pequeno produtor para ampliar sua área cultivada; esse pequeno produtor, sem suas terras, poderá se transformar em um bóia-fria, morando na cidade e trabalhando temporariamente na colheita agrícola. Várias outras possibilidades poderiam ser imaginadas.
Nessas relações, a re­sistência de algum(uns) dos sujeitos sociais ao relacionamento proposto pode existir. Por exemplo, se o pequeno produtor rural não tivesse interesse em vender suas terras ou o latifundiário impe­disse a ocupação de sua fazenda pelos traba­lhadores rurais sem-terra, o que aconteceria? A diversi­dade de interesses dos trabalhadores que vi­vem das atividades rurais é um dos motivos para a origem dos conflitos no campo brasileiro.

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