terça-feira, 9 de agosto de 2011

Textos para 3a. série / Ensino Médio - 3o. bimestre

9. O continente africano
Profa. Celina – Geografia – 3ª. Série – EM

Esse capítulo enfocará o continente africano a partir de algumas particularidades físicas e populacionais. Dessa forma, reconheceremos os aspectos relacionados a diferentes formas de regionalização, características da hidrografia e dos desertos (com o intuito de relacioná-las à divisão natural representada pelo Saara e a cultural, pelo Nilo) e outras características do continente, que também permitem relacionar as características físicas e culturais e agrupar ou classificar os países do continente africano em duas regiões distintas: a África do Norte e a África Subsaariana.

Localização do continente
A partir da localização visual do Meridiano de Greenwich, do Equador e dos Trópicos de Câncer e Capricórnio, identificamos que a África é o único continente a possuir terras nos quatro hemisférios. A localização das zonas térmicas da África (página 3 do caderno do aluno) é um elemento importante na caracterização da distribuição do clima e vegetação africanos.
A fronteira norte do continente africano é muito próximo da Europa e o Estreito de Gibraltar e o Mar Mediterrâneo são elementos facilitadores de acesso entre os dois continentes, tanto da colonização no século XIX como também do fluxo migratório de africanos para a Europa nos dias atuais. O Mar Vermelho, a Península do Sinai e o Istmo de Suez estão localizados na fronteira com a Ásia: mas a fronteira oficial costuma ser fixada no Istmo de Suez, o que faz da península do Sinai território asiático, região de grande importância econômica (jazidas de petróleo) para o Egito que, finalmente, a obteve em 1979 após assinatura de um acordo de paz com Israel. Importantes cidades egípcias localizam-se nos limites com a península do Sinai, e a localização do Egito entre os dois continentes leva alguns geógrafos a propor a fronteira israelo-egípcia como o limite geográfico entre a Ásia e a África. Por isso a importância geo-estratégica do Canal de Suez (que esteve sob domínio inglês até 1956, quando foi nacionalizado pelo presidente egípcio Gamal Abdel Nasser).

África: clima, vegetação, relevo e hidrografia
Há uma forte correlação entre os tipos climáticos e a distribuição da cobertura vegetal no continente africano. A distribuição das precipitações na África apresenta uma variação de máxima para mínima no sentido centro-norte e centro-sul. Na faixa equatorial encontramos a vegetação da floresta equatorial (pluvial e tropical) em virtude das chuvas intensas e das elevadas temperaturas. Na região dos trópicos, o tipo climático é caracterizado por uma variação sazonal de chuvas no verão e seca no inverno, o que explica a existência das savanas. Ao norte e ao sul do continente, ocorrem áreas extremamente secas, com destaque para os Desertos do Saara (ao norte) e do Kalahari (ao sul), onde, em algumas áreas muito localizadas e pontuais, verifica-se a presença da vegetação de oásis, resultante do afloramento do lençol freático subterrâneo. A vegetação do tipo estepe faz parte das formações de regiões semiáridas, nas margens dos desertos, sendo composta de herbáceas ressecadas e arbustos muito esparsos. Essa extensa faixa semiárida na borda do Deserto do Saara é conhecida como Sahel. O tipo climático mediterrâneo ocorre nas extremidades norte e sul do continente africano, onde aparece vegetação do tipo maquis e garrigues, caracterizada por pequenos arbustos que se misturam às formações xerófitas, às oliveiras, às videiras e às gramíneas ressecadas. A economia relaciona-se a dos países mediterrâneos: ao norte do continente africano destaca-se a produção de óleo de oliva na Tunísia e na Argélia e, ao sul, destaca-se a produção vinícola.
Com exceção do Rio Nilo, os grandes rios africanos, como o Congo e o Zambeze, estão em áreas de clima equatorial e tropical. A existência dos rios, dos desertos, da vegetação e a proximidade com o Mar Mediterrâneo são fatores fundamentais para compreender a distribuição da população pelo continente como também das atividades econômicas e da organização social da população. Nas áreas mais elevadas do continente ocorre o clima frio de montanha. O Rio Nilo destaca-se por atravessar áreas desérticas em grande parte de seu curso e tem uma importância regional ao longo da história. Em contraste com o Saara, o Rio Nilo propicia áreas muito férteis à África, fornecendo água e solos agricultáveis em suas margens, além de água para irrigação das áreas adjacentes ao vale do rio. Nas margens desse rio, ocorrem muitas das principais aglomerações humanas como Cairo e Alexandria, no Egito, e Cartum e Ondurman, no Sudão, esse na costa oriental da África. Além das férteis terras do Vale do Nilo, na atualidade, a utilização de tecnologias agrícolas aliadas a ajustes estruturais de produção permitiu a expansão de uma agricultura internacionalmente competitiva também em países da denominada África Subsaariana. Hoje os países do Golfo da Guiné, liderados pela Nigéria, são os maiores produtores mundiais de cacau, e juntamente com países localizados na África austral e oriental destacam-se também na produção de café, algodão e hortaliças.

A regionalização da África
Localizem o Deserto do Saara na foto de satélite da África na página 10 do caderno do aluno (área em branco).
Esse enorme deserto (o maior do mundo) na configuração natural, cultural e política do continente africano, separa o extremo norte africano do resto do continente. Historicamente, funcionou como uma barreira que, embora transposta por fluxos comerciais intensos, influenciou profundamente a configuração das culturas e civilizações na África. O Rio Nilo foi o primeiro e principal eixo comercial através do deserto, permitindo a aproximação entre os povos que habitavam as porções norte e sul do Saara.
Nos séculos VII e VIII, povos árabes conquistaram todo o norte africano, antes de invadirem a Península Ibérica (Portugal e Espanha). O domínio árabe no norte da África levou à difusão do islamismo e da língua árabe entre os povos da porção setentrional do continente. Nesse período, o Saara também passou a ser atravessado por rotas de caravanas árabes, que comercializavam inúmeros produtos e escravos dos reinos ao sul do deserto. Essas relações comerciais foram responsáveis pela expansão do islamismo também para os povos que habitavam a porção sul do Saara. Isso explica a grande presença de adeptos do islamismo nessa parte do continente.
Foram também essas relações – em especial, o comércio de escravos — que levaram os árabes a tratar o sul do Saara como “terra de negros”. Dessa forma, a influência árabe e, posteriormente, a européia, ratificaram a regionalização que distinguia uma “África Branca” de uma “África Negra”. Essa designação das porções norte e sul do continente pela cor da pele, além de não esclarecer em nada as características culturais próprias de cada região, representaram o modelo racista e preconceituoso que fundamentou a colonização do continente no século XIX.
Com o fim da colonização, essa regionalização ratificada pelo imperialismo foi profundamente criticada, tendo em vista o aprofundamento nos estudos acerca da heterogeneidade das culturas africanas. Na atualidade, os organismos internacionais consolidaram a regionalização em África do Norte e África Subsaariana.

África do Norte
Os países do norte do continente são: Marrocos, Líbia, Tunísia, Egito, Argélia e Saara Ocidental (sob o domínio do Marrocos). As populações desses países têm uma unidade cultural dada pela religião islâmica, trazida pelos árabes da Península Arábica a partir do século VII.
a) Magreb e Grande Magreb
Magreb, em árabe, designa “onde o Sol se põe”, pois, localizada a oeste, encontra-se em oposição ao “machrek”, que significa “o nascente”, porção representada pela Península Arábica. O Magreb (também Magreb Central) corresponde à porção ocidental do norte da África, onde se localizam o Marrocos, a Argélia e a Tunísia, países que foram integrados ao império colonial francês no século XIX — e que, anteriormente, faziam parte do Império Turco-Otomano. O Grande Magreb é uma região que se estende da Mauritânia à Líbia. Em relação ao conjunto das exportações dos países que o compõem (ver figura “Grande Magreb: exportações, 2003” na página 13 do caderno do aluno), as trocas econômicas e comerciais com a Europa são mais intensas que as relações bilaterais que mantêm entre si. Essa observação é importante, pois permite explicar uma das razões que tornam essa imensa região um espaço estratégico do ponto de vista dos europeus e, mais recentemente, dos chineses, em virtude da grande importância do petróleo e de outros minérios aí existentes. Outras características dessa região são: a proximidade geográfica com a Europa; o fato ser a mais rica da África, com vastas reservas de petróleo, gás natural, fosfato, ferro etc.; o fato de ser importante fonte emissora de migrações com destino à União Européia.
b) O Saara e o Vale do Nilo
            Considerando o meio físico e sua ocupação pelo ser humano, a África do Norte ou Setentrional possui, além do Magreb, outras duas áreas mais ou menos distintas: o Vale do Rio Nilo e o Saara.
            Em relação ao Vale do Rio Nilo, esse rio é muito importante para vários países africanos e não apenas para o Egito. Observem o percurso completo desse rio, da nascente no Lago Vitória à foz no Mar Mediterrâneo (ver mapa “África: físico com hidrografia” na página 17 do caderno do aluno). Na Antiguidade foi muito importante, pois foi onde a civilização egípcia floresceu. Por ser o único rio a atravessar o Deserto do Saara no sentido sul-norte, o Nilo poderá ser comparado ao Rio São Francisco, no Brasil. Tanto o Nilo quanto o São Francisco possuem traçado sul-norte; atravessam áreas áridas e semiáridas; são utilizados para transporte, produção de eletricidade, irrigação. O que os difere apenas é o tipo de foz: enquanto o Nilo apresenta foz em delta (quando um rio deságua no oceano por várias saídas), o São Francisco deságua no Atlântico formando um grande estuário (quando um rio deságua no oceano por uma única saída).
            Em contraste com o Saara, o Rio Nilo propicia áreas úmidas e férteis, fornecendo água e solos agricultáveis em suas margens, além de irrigação em áreas adjacentes ao Vale do Rio Nilo, possuindo em suas margens muitas aglomerações humanas como, por exemplo, Cairo, Alexandria, no Egito e Cartum e Ondurman, no Sudão. O Rio Nilo nasce na região central da África, no Lago Vitória, e corre na região central e nordeste do continente, atravessando Uganda, Sudão e Egito, desembocando em delta no Mar Mediterrâneo. A represa de Assuã, no Rio Nilo, controla o nível das águas e fornece energia elétrica ao Egito.
            Quanto ao Deserto do Saara – localizado no norte do continente africano, estendendo-se do Oceano Atlântico até o Mar Vermelho –, vários países localizados na porção setentrional africana apresentam baixa densidade demográfica pelo fato dessa região ser árida, dificultando a ocupação humana e as atividades econômicas. O sistema da Cadeia do Atlas influencia na aridez do Deserto do Saara que, em razão de suas elevadas altitudes e orientação transversal, impede a passagem dos ventos que chegam do norte carregados da umidade do mar. A designação de “sistema” relaciona-se com o fato dessa cadeia formada no Terciário compreender três cadeias no Marrocos (Alto Atlas, Médio Atlas e Antiatlas) e duas na Argélia (Atlas Telianos e Atlas Saariano).
A formação dos desertos do Kalahari e da Namíbia, ao sul do continente, diferentemente do Saara, estão associados à presença da corrente fria de Benguela.

África Subsaariana
            Os países que formam a região são: Congo, República Centro Africana, Ruanda, Burundi, África Oriental, Quênia, Tanzânia, Uganda, Djbouti, Eritréia, Etiópia, Somália, Sudão, África Ocidental, Benin, Burkina Faso, Camarão, Chade, Cote d’Ivoire, Guiné Equatorial, Gabão, Gâmbia, Gana, Guiné, Guiné Bissau, Libéria, Mauritânia, Mali, Níger, Nigéria, Senegal, Serra Leoa e Togo. Esse conjunto de países abrange o Sahel, extensão de terras localizada na “borda do deserto” e que, historicamente foi habitada por pastores nômades que, na atualidade e por influência do processo de colonização, em parte se sedentarizaram. Aliado ao pastoreio, a partir de investimentos de inúmeros organismos internacionais associados a empreendimentos privados, essa região tem apresentado melhor uso do solo e resultados agrícolas satisfatórios na produção de grãos, especialmente milheto (uma forrageira, que significa qualquer espécie de vegetação, natural ou plantada, que cobre uma área e é utilizada para alimentação de animais, seja ela formada por espécies de gramíneas, leguminosas ou plantas produtoras de grãos sorgo (um cereal, o quinto mais importante no mundo, antecedido pelo trigo, arroz, milho e cevada) e arroz.


10. África: sociedade em transformação

A partir da análise do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), focaremos temas fundamentais relacionados à África, sua relação com outros países do mundo, os aspectos demográficos e socioeconômicos, com destaque para a pandemia da Aids, um grave exemplo das condições sociais que afetam a qualidade de vida de uma grande parcela da população africana contemporânea.
O IDH é um índice idealizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), órgão da Organização das Nações Unidas (ONU), para medir o desenvolvimen­to humano, considerando dados sobre saúde, educação e renda per capita. Sua escala varia de 0 a 1, sendo mais desenvolvido quanto mais próximo de 1 estiver o país. Segundo critérios do PNUD, os países são classificados em quatro categorias: IDH muito elevado (acima de 0,900), IDH elevado (de 0,80 a 0,899), médio (de 0,79 a 0,50) e baixo (abaixo de 0,50). Até 2007, eram 3 categorias: IDH elevado (acima de  0,80), médio (de 0,79 a 0,50) e baixo (abaixo de 0,50).
Países da África, em sua maioria, não se encontram bem colocados no cenário mundial, e os pio­res resultados estão na África Subsaariana. Essa é a região do planeta com os países mais pobres do mundo, com indicadores sociais e econômicos que demonstram uma péssima qualidade de vida. A maioria dos países africanos apresenta um IDH baixo, principalmente os localizados na África Subsaariana: os 12 países com os meno­res IDHs em 2006 pertencem a essa região (Mali, Etiópia, Chade, Guiné Bissau, Burundi, Burkina Faso, Nigéria, Moçambique, Libéria, República Democrática do Congo, República Centro-Africana e Serra Leoa). Analisando a tabela “IDH de alguns países africanos” na página 17 do caderno do aluno, apesar da persistência das condições de vida inaceitáveis para o grande conjunto dos países africanos, durante os últimos anos alguns deles conseguiram deslocamentos e deixaram a con­dição de IDH baixo para atingir o médio.
As na­ções subsaarianas, em geral, ainda mantêm as piores condições sociais e a mudança desse cenário só será possível se houver um longo e amplo investimento social e maior estabilidade democrática. Esses países são basicamente exportadores de produtos primários, com baixo valor agregado, e a população ainda é, em sua maioria, rural. Os Estados, mui­tos deles ditatoriais e corruptos, não são capazes de assegurar as condições mínimas de serviços de educação, assistência médico-hospitalar e absorção de suas populações no mercado de trabalho nas áreas urbanas. As taxas de mortalidade e, em especial, a de mortalidade infantil são, altíssimas. Con­forme dados da CIA - The World Factbook, Suazilândia, Angola, Lesoto e Serra Leoa apresentam taxas de mortalidade acima de 20/1000 hab., consideradas elevadíssimas se comparadas aos de países em desenvolvimen­to como o Brasil (6/1000 hab.), por exemplo.
De certa forma, a influência dos modelos coloniais também pode ser responsabilizada pela atual situação desses países. O alicerce dos Esta­dos africanos foi constituído, quase sempre, pelo aparelho administrativo criado pela colonização européia. No momento das indepen­dências, o poder político e militar transferiu-se das antigas metrópoles para as elites nativas urbanas, que instalaram regimes autoritários. Muitas vezes, essas elites representavam apenas um dos grupos étnicos do país, marginalizando por completo as etnias rivais. Como resultado, de modo geral, a vida política africana foi so­bressaltada por sucessivos conflitos internos (incluindo golpes de Estado) e contaminada pela violência e pela corrupção.

População e urbanização
Observe as principais áreas de concentração populacional na África e os grandes vazios demográficos no mapa “África: cidades e principais portos” na página 18 do caderno do aluno. As principais cidades (que são as mais populosas) e os principais portos, em regra, estão localizados em grandes cidades do continente.
As áreas mais povoadas estão próximas ao litoral, no Vale do Rio Nilo, e no entorno dos grandes lagos, como o Lago Vitória. Além das áreas próximas ao Rio Nilo, também apresentam grande concentração populacional as áreas próximas a outros rios, como Zambeze, Níger e Orange. A proximidade com o Mar Mediterrâneo e com a Europa são os principais fatores que tornam o litoral norte do continente densamente povoado. As áreas que apresentam as menores densidades demográficas são as áreas desérticas (principalmente os Desertos do Saara e de Kalahari), o Sahel, região semiárida no entorno do Saara, e as áreas de florestas densas, como é o caso da floresta equatorial do Congo. Em alguns casos, áreas próximas aos domínios florestais podem apresentar adensamentos populacionais em virtude da localização de algumas capitais, como é o caso de Kinshasa, capital da República Democrática do Congo. Além dos fatores físicos, há fatores históricos ligados a um passado anterior à colonização, que contribuíram decisivamente para a atual configuração da distribuição da população no continente.

Economia africana
A Europa, a Ásia e a América do Norte são os principais mercados compradores e fornecedores do continente africano. As relações assimétricas entre África e Europa não se restringem ao passado histórico (tráfico de escravos e colonização), mas também são perpetuadas ainda hoje perante a globalização econômica que reproduz esquemas de dependência.
 Se compararmos as trocas comerciais realizadas nos espaços intrarregionais da Europa e da África é nítido o contraste: há maior integração no primeiro continente em virtude da União Europeia (UE) e ou­tros fatores do que no continente africano. Há pouca expressividade no montante de trocas comerciais verificadas no espaço intrarregional da África, mesmo possuindo várias organizações regionais para fins de integração econômica. Algumas causas e fatores dessa pouca expressividade são:
- o enfraquecimento dos Estados africanos em função das heranças históricas do co­lonialismo e também em virtude de fato­res políticos e econômicos geradores de instabilidade interna, o que impõe dificul­dade para se afirmarem perante a globalização;
- o fato de a globalização em curso reprodu­zir esquemas de dependência econômica na África, pois, como uma das heranças do passado colonial, grande parte de seus países possui economias pouco di­versificadas, exportadoras de produtos primários, agrícolas, minerais e petrolífe­ros, o que não permite romperem com o modelo financeiro que os subordina aos mercados dos países consumidores. Tal característica faz com que a África conte pouco na economia mundial, ainda que suas trocas comerciais com outras regiões do mundo se desenvolvam, em particular com a China;
- o continente africano perdeu importância geopolítica depois do fim da Guerra Fria (1947-1989), cujos reflexos se fizeram sen­tir até mesmo na redução do montante da ajuda humanitária sob todas as suas formas, principalmente durante a década de 1990.
As características das exportações da África Subsaariana são:
- as exportações dessa grande região africana crescem em valor absoluto, mas com ritmo inferior ao mundial. De acordo com dados do L'atlas de l'integration régionale en Afrique de l'Ouestel, elas representavam em 2007 aproximada­mente 1% do total mundial contra 1,7% em 1996 e 3,1% em 1970, o que ilustra sua dificuldade para se integrar e acompanhar a globalização em curso;
- segundo dados da OMC (relatório 2009), a parte dos produtos manufaturados nas exportações da África Subsaariana conti­nua pouco expressiva, na ordem de 25%, constituída por um conjunto parco de pro­dutos e número restrito de países. Entre os produtos manufaturados exportados por essa região encontram-se os pouco transformados (pedras preciosas, ferro, alumínio, prata, platina etc.) e outros ma­nufaturados como vestuário (Ilhas Maurício, Botsuana, por exemplo) ou ainda automóveis (África do Sul). Entre­tanto, o essencial das exportações (mais de 70%) dessa grande região permanece com­posto de matérias-primas - produtos agrí­colas, madeira, minerais (bauxita, ouro, diamantes, urânio etc.) e combustíveis. In­clusive, a exportação de combustíveis, que representa, isoladamente, mais da metade de suas exportações totais, foi a que mais cresceu entre 1985 e 2000 (mais de 75%), o que atesta a importância desse mercado fornecedor diante das disputas energéticas internacionais;
- embora as Ilhas Maurício e a África do Sul apresentem uma diversificação de suas economias, a maioria dos países africanos per­manece especializada na exportação de dois ou três produtos (realizada de forma não muito diferente do que no "dia seguinte" das independências). Todavia, as cotações das matérias-primas no mercado internacional (decrescentes nas décadas de 1980 e 1990) são muito mais vigorosas desde o início do século XXI, o que contribui para que a África Subsaariana mantenha a tendência de continuar como uma re­serva de matérias-primas, como algodão e milho, e compradora de produtos ma­nufaturados. Isso parece ser corroborado diante do clima de crescimento sustentado de uma parte do mundo e da alta contínua da demanda energética, situação na qual se tornaram "produtos sensíveis" algumas matérias-primas, o que contribui para que a África Subsaariana se torne uma região de concorrências exacerbadas entre as principais economias mundiais, fator adicional para desestabilizar seus países mais frágeis;
- alguns países africanos subsaarianos, como Nigéria e Angola, nos últimos anos, têm tido um crescimento econômico muito intenso (acima dos 10% ao ano). Os investi­mentos estrangeiros na área de exploração de petróleo e de gás natural vêm transfor­mando parte das economias subsaarianas, como, por exemplo, Angola, que tem cres­cido cerca de 17% ao ano.
Veja os gráficos “Mundo: investimentos diretos estrangeiros” e “China: comércio com os países africanos” nas páginas 21 e 22 do caderno do aluno. Apesar de a África continuar sendo o continente com a menor participação na captação de recursos externos, na atualidade essa situação alterou-se um pouco em função dos interesses chineses no continente. Em 2008 a África tornou-se o 3º. maior captador de investimentos diretos chineses, sendo apenas ultrapassada pela Ásia e pela América do Norte. Tal situação beneficia diretamente a China, que tem sido acusada de ressuscitar uma nova etapa do neocolonialismo na África ao utilizar o continente como base de produção e extração de bens primários para sua atividade industrial, consolidando a divisão internacional do trabalho e da produção.
A presença da população chinesa na África também tem sido significativa. No decorrer das últimas quatro décadas, o governo de Pequim enviou cerca de 20 mil técnicos agrícolas e especialistas de diversas áreas para o continente. Na atualidade, a migração de chineses para a África é sensível. Apesar dos dados não serem precisos, calcula-se que cerca de 500 mil chineses vivem e trabalham no continente. Os chineses têm sido os maiores investidores na África Subsaariana e a presença chinesa no continente data da década de 1960, quando participaram ativamente na venda de armamentos para grupos comunistas insurgentes (rebeldes) em diversos países africanos. Após as mudanças ocorridas na China em 1978, com a abertura das Zonas Econômicas Especiais (ZEE's), e principalmente no século XXI, após o crescimento da economia chinesa, os interesses bilaterais entre as partes pautaram-se na ampliação das vendas de manufaturados e nas compras de matérias-primas (principalmente petróleo e minerais metálicos). Para favorecer a compreensão quanto às mudanças do comércio mundial e ao papel da África no processo de globalização, vamos ler e analisar o seguinte texto:

“Nos últimos anos, os produtores de legumes e verduras para venda nos mercados locais dos arredores de Harare, capital do Zimbábue. ingressaram no negócio de fornecer hortaliças frescas para os mercados londrinos. As hortaliças são transportadas para o aeroporto logo que são colhidas, são conduzidas em voos noturnos para Heathrow e na manhã seguinte já se encontram nas prateleiras de Tesco. Essa atividade de exportação depende de pelo menos três fatores. Primeiro, de transporte aéreo bara­to - os velhos e combalidos Boeings que se transformaram nos navios cargueiros a frete do comércio mo­derno. Segundo, da eficiência das telecomunicações - as hortaliças são fornecidas a pedido, significando que as mensagens devem ser entregues aos produtores por meios que antes só eram possíveis nos países avançados, com bons sistemas telefônicos. Finalmente, é lógico, o comércio depende de um mercado inglês aberto. Seria inviável se cotas de importação e tarifas elevadas impedissem a venda.”
KRUGMAN, Paul. Globalizações e globobagens: verdades e mentiras do pensamento econômico.

A questão da Aids
Com o objetivo de enfocar a gravidade da situação da saúde na África, particularmente a Aids, é interessante analisar o gráfico “Principais causas de mortalidade no mundo e percentual da África” na página 23 do caderno do aluno. Nele é possível identificar que as condições sociais da África refletem diretamente na qualidade de vida, o que resulta em taxas de mortalidade elevadas associadas a condições inadequadas de saúde. Alguns dados do Informe sobre a Epidemia Mundial de Aids (agosto de 2008), publicação conjunta da Unaids (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o HIV/Aids) e Organização Mundial de Saúde (OMS). De acordo com essa publicação, entre as populações da África Subsaariana, a prevalência (maioria) de HIV em indivíduos com 15-49 anos é de 5%, ao passo que no resto do mundo é inferior a 1%. Nessa região, a prevalência de indivíduos HIV positivo na população adulta ultrapassa 15% em oito países (dados de 2007): Botsuana, Lesoto, Moçambique, Namíbia, África do Sul, Suazilândia, Zâmbia e Zimbábue. Na África do Sul, a avaliação de grávidas em pré-natal mostrou 29% de soropositividade, enquanto, na Suazilândia, 26% dos adultos (15-49 anos) são soropositivos. Com o auxílio da tabela “Adultos e crianças vivendo com HIV”, na página 24 do caderno do aluno, perceba que, dos 33,2 milhões de pessoas vivendo com HIV no mundo em 2007, cerca de 68% vivem na África Subsaariana. Ao contrário de outras regiões, a maioria das pessoas vivendo com HIV na África Subsaariana é de mulheres (61%); o número de novos casos (adultos e crianças infectados durante o ano de 2007) foi estimado em 2,5 milhões, e mais de 1/3 desses novos casos ocorreu na África Subsaariana; do total estimado de óbitos durante o ano de 2007 (2,1 milhões), 76% ocorreram na África Subsaa­riana (diariamente, 6 800 pessoas tomam-se infecta­das e 5 700 morrem em decorrência da Aids no mundo, a maioria em virtude do acesso inade­quado aos serviços de prevenção e tratamento).
Os efeitos demográficos da Aids são alarmantes, destacando, por exemplo, o declínio da expectativa de vida em vários países afri­canos (veja gráfico “Esperança de vida ao nascer, com e sem Aids” na página 25 do caderno do aluno) e as con­sequências expressas na pirâmide etária de alguns países subsaarianos, como Gana e Lesoto, também em decorrência da Aids (“Gana e Lesoto: mudanças na estrutura etária das populações” na página 26), observando a diferença entre as pirâmides de 1950 (sem influência da Aids) e de 2007 (com a influência da Aids).
            A pandemia da Aids, ao contrário da maioria das doenças, que atingem principalmente a população jovem e os idosos, afeta faixas etárias intermediárias de jovens e adultos. Para um país, os efeitos demográficos são comparáveis aos de uma guerra, pois grande parte da população economicamente ativa é afetada, resultando em descompasso entre a faixa da população em condições de gerar riqueza (que estão na faixa de 15 a 60 anos), e a possibilidade de melhoria das condições de vida de toda a população, afetando diretamente os núcleos familiares ao criar uma geração de órfãos da Aids.

11. África e Europa

            O imperialismo europeu, a colonização e a partilha da África marcaram a África da atualidade. As condições de pobreza e de dependência econômica com relação às ex-metrópoles são a tônica da maioria das nações africanas ainda hoje. Além disso, as formas contemporâneas de organização dos países africanos, a partir da fundação da União Africana (UA), em 2002 contribuíram. Nesse tema, vamos abordar, além desses citados, o tema das migrações clandestinas de imigrantes africanos em direção ao continente europeu, estabelecendo relações entre a dinâmica dessas imigrações, suas motivações e relevância.
            As imagens que aparecem nas páginas 30 e 31 no caderno do aluno são de um jornal francês do final do século XIX e retratam a colonização e a partilha da África. A Revolução Industrial européia (séculos XVIII e XIX) impulsionou a necessidade de ampliação de mercados consumidores e de fornecimento de matérias-primas e as causas levaram à colonização da África e da Ásia.

O imperialismo europeu na África
Para justificar a colonização, o impe­rialismo europeu criou uma ideologia racista, segundo a qual os brancos eram superiores às demais raças, cabendo a eles a "missão civilizadora" de resgatar os povos colonizados de sua condição de barbárie. Durante séculos, a África representou para os europeus apenas uma inesgotável fonte de escravos e, em menor escala, de ouro e de mar­fim. Os traficantes e comerciantes baseados em entrepostos (armazém especial, particular ou público, onde se depositam mercadorias que esperam venda, exportação, reexportação, etc.) litorâneos, praticamente sintetiza­vam a presença européia no continente.
Entre novembro de 1884 e fevereiro de 1885, 13 nações européias, além dos Estados Unidos e da Turquia, promove­ram a Conferência de Berlim, que tinha como objetivos principais:
a) discutir normas para tráfego e utilização comercial livres dos Rios Níger e Congo e;
b) regulamentar a apropria­ção do continente africano.
Com vistas a delimitar a partilha do con­tinente foram usados paralelos e meridianos e o traçado dos rios como marcos divisórios fronteiriços. Além da utilização de recursos cartográficos na demarcação de fronteiras artificiais, os europeus estabeleceram divisões internas em suas colônias, tanto para garantir controle militar quanto para estabelecer domínio em áreas de mineração. A artificialização de fronteiras provocou a separação entre grupos étnicos que viviam pacificamente em um mesmo território, enquanto grupos étnicos adversários foram obrigados a conviver na mesma terra. Dessa forma, os colonizadores dificultaram a formação de alianças que pu­dessem lhes fazer oposição.
A definição impositiva das fronteiras foi acom­panhada da obrigatoriedade do uso da língua e dos costumes do colonizador (educação, religião e modelo de administração), em detrimento da cultura e da tradição dos diversos grupos étnicos africanos, que foram negligenciadas. Um exem­plo disso foi relatado no livro Amkoulell, o me­nino fula do escritor africano Amadou Hampâté Bâ, nascido em Bandiagara, atual Mali, em 1900. Nesse livro, ao tratar da importância da preserva­ção da memória oral, ele afirma:

“Na África, cada ancião que morre é uma biblioteca que se queima.”
HAMPÂTÉ BÂ, Amadou. Amkoulell, o menino fula.

O escritor africano res­gata a necessidade de se preservar a história oral do Mali como única forma de garantir a preservação da cultura e do saber genuinamen­te africanos. Nesse sentido, com o auxílio da literatura, é possível fazer com que os jovens percebam a força da oralidade para a perpetua­ção da história.
Como fruto da expansão colonial, a África passou a fornecer matérias-primas minerais e produtos agrícolas tropicais, como chá, café, algodão, entre outros, cultivados em plantations, grandes propriedades monocultoras com a produção voltada para a exportação. Dessa forma, os investimentos fei­tos no continente foram exclusivamente para melhorar as condições de escoamento das ri­quezas retiradas da África. Um bom exemplo disso são as ferrovias implantadas no período colonial, ligando áreas produtoras interioranas ao litoral, de onde as produções mineral e agríco­la seguiam para a Europa. A espoliação (privação de algo por fraude ou violência) do conti­nente evoluía rapidamente.
O poema de Rudyard Kipling, de 1899, intitulado o "Fardo do ho­mem branco", na página 34 do caderno do aluno, sintetiza a visão imperialista e a missão civilizadora dos brancos europeus. A ideologia latente nos versos de Kipling legitimava o imperialismo europeu.

A descolonização africana
Inglaterra e Fran­ça eram as principais potências imperialistas. O processo de descolonização se deu depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), quando as grandes potências européias saíram arrasadas economicamente do conflito, sem condições de manter seus vastos impérios coloniais, Ao mesmo tempo, a opinião pública cobrava uma postura coerente da Inglaterra e da França, que tinham combatido o totalitarismo nazista alemão e o fascismo italiano em nome da democracia e da autodeterminação dos povos, e não davam esse direito aos povos de suas colô­nias. O afrouxamento das rédeas metropolitanas fez com que muitos povos africanos negociassem sua independência ou pegassem em armas para consegui-la. A dominação euro­péia na África muitas vezes contou com a resis­tência dos povos locais, que se insurgiam (revoltavam) contra os dirigentes europeus. Algumas independências se deram com sangrentas guerras, como a da Argélia. Os novos países mantiveram sua con­dição de exportadores de produtos primários e, embora independentes, continuaram muito de­pendentes de suas antigas metrópoles.
Com o processo de independência africana na segunda metade do século XX, o pan-africa­nismo (idéia de união de toda a África) se fortaleceu, tendo como um de seus lí­deres Kwame N'Krumah, presidente de Gana (antiga colônia britânica da Costa do Ouro) na década de 1960. Para ele, o fortalecimento econômico das nações africanas e a aproxima­ção entre elas seria o caminho para a plena independência, uma vez que os colonizadores europeus, mesmo tendo concedido a indepen­dência, não abririam mão de indiretamente manter sua influência econômica, dilapidan­do as riquezas do continente.
Em 1964, as nações africanas independen­tes, em reunião no Cairo, criaram a Organiza­ção da Unidade Africana (OUA). Buscavam, dessa forma, ampliar a cooperação entre os Estados e garantir a segurança entre seus países-membros. Porém, ao manter os limites territoriais impostos pelas nações européias, a OUA consolidou a fragmentação da África. Além disso, boa parte das elites locais ainda representava maiorias étnicas remanescentes da antiga configuração, o que pode também servir para explicar a instabilidade das frontei­ras e as sucessivas guerras étnicas que caracte­rizaram as nações africanas - e caracterizam até a atualidade -, principalmente na região subsaariana.
Em 2002, os novos líderes africanos reuni­ram-se em Durban, na África do Sul, e pu­seram fim à OUA, criando a União Africana (UA). Essa nova organização veio ampliar o leque de objetivos para a integração do con­tinente. Em sua carta de abertura, propunha a criação de um Conselho de Paz e Seguran­ça representado por alguns países africanos com poderes para intervir em guerras locais e evitar atos de extermínio em massa, como os que continuam a ocorrer em diversos confli­tos africanos. Além disso, a UA tinha também como objetivo a promoção do desenvolvimen­to econômico e social das nações africanas, por intermédio do combate à fome e da erra­dicação da pobreza.

Os fluxos migratórios africanos
A emigração de africanos para a Europa é grande parte ilegal. Sem perspectivas em suas terras natais, os africanos migram para a Europa em busca de melhores condições de vida.
Observe os mapas “Mundo: distribuição da riqueza (os cinco mais ricos)” e “Refugiados e deslocados” nas páginas 36 e 37 do caderno do aluno: as diferenças notórias de distribuição de riqueza entre os continentes africano e europeu (por razões históricas e geográficas) são uma das causas que impelem muitos imigrantes clandestinos africanos a buscar a Europa como destino.
Além dos migrantes simples ou voluntários, dos refugiados e solicitantes de asilo por motivos como desastres naturais, guerras ou projetos de desenvolvimento (construções de barragem, centros industriais, camponeses que perderam suas terras etc.) também existem os migrantes por questões econômicas. No entanto, formalmente, as grandes organizações não governamentais (ONGs) humanitárias e o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) não dispõem de mandato internacional que lhes permita intervir ou atuar adequadamente em prol dessa categoria de migrantes. O uso da expressão “refugiados econômicos” é praticamente evitado tanto pela ONU como também por parte dos governos e autoridades dos países do Norte ou desenvolvidos, em função das implicações políticas que isso demandaria. Todos os anos milhares de africanos arriscam suas vidas em embarcações improvisadas para cruzar o alto-mar em busca de melhores condições de vida na Europa. Eles se dirigem para os países localizados em sua porção centro-ocidental, onde se concentram aqueles que foram, praticamente até 1960, os colonizadores da África.
Para complementar o estudo, pesquise sobre os principais conflitos étnicos contemporâneos no continente africano, caracterizando o conflito e estabelecendo relações entre a atual situação do(s) país(es) envolvido(s) e o seu passado colonial. Conforme o mapa “África: um continente devastado por conflitos” na página 38, há inúmeras possibilidades e sugiro como temas a seguinte relação de conflitos recentes:
- a situação atual da Somália e a pirataria no Chifre da África;
- a instabilidade na Libéria;
- a reorganização de Angola após décadas de guerra civil;
- o conflito entre hutus e tutsis em Ruanda e Burundi;
- a instabilidade política na República Democrática do Congo;
- a guerra civil moçambicana e o atual processo de reconstrução do país;
- os conflitos étnico-religiosos na Argélia;
- a instabilidade política e democrática em Madagascar.


12. África e América

Vamos resgatar conteúdos básicos sobre o tráfico de escravos e a inserção da África nesse comércio atlântico, na contemporaneidade brasileira, com enfoque mais específico nas questões do racismo, de sua criminalização, a influência da cultura hip-hop (ancorada nos movimentos negros dos Estados Unidos), como forma de expressão social e artística da juventude brasileira.

O movimento de escravos e a evolução da população africana
A África esteve submetida a vários séculos de escravidão e, mesmo antes da descoberta da América, os portugueses foram os primeiros europeus a importar escravos para compensar sua falta de mão-de-obra. Os escravos procediam das embarcações comerciais e dos fortes estabelecidos na costa africana. Posteriormente, a partir do século XV, com a colonização das Américas por diversos povos europeus, ocorreu o desenvolvimento do tráfico de escravos, intensificando a exploração da costa africana. Essa passou a ser freqüentada por traficantes, piratas e mercadores europeus que montaram feitorias no litoral, onde os africanos aprisionados esperavam os navios tumbeiros ou negreiros, que levavam os prisioneiros como carga humana pelas rotas transatlânticas. As principais  regiões de origem dos escravos nos séculos XVI e XIX eram o delta do Rio Níger, o Congo e Angola.
No conjunto de mapas “Tráfico atlântico de escravos: dimensões e destinos” na página 42 do caderno do aluno, observamos que inúmeros povos africanos foram inseridos no chamado comércio triangular, basicamente como fornecedores de mão de obra escrava para as colônias americanas e antilhanas (ilhas que compõem o Caribe, na América Central). Por meio da leitura do gráfico “Evolução da população na África” na página 43, entre 1650 e 1850, período em que a escravidão estava vigente, a população residente no continente africano foi praticamente a mesma. Após 1850, com a proibição do tráfico de escravos, a população do continente cresceu de forma expressiva, com destaque para as últimas décadas do século XX. Não se sabe ao certo o número exato de escravos que foram transportados pelo Atlântico. Os levantamentos apontam para números que variam entre 10 e 50 milhões. De todo modo, seja como for, o número é expressivo e demonstra a enorme influência cultural nos países que receberam esses escravos.

África e Brasil: cultura e legislação
a)       O preconceito e a luta pelos direitos: em nossa sociedade, a condição dos afrodescendentes na atualidade no Brasil e nos demais países americanos de passado escravista é praticamente a mesma, o preconceito é velado e está presente em nosso dia a dia. Dois documentos legais na página 45 do caderno do aluno apresentam o preconceito como crime: o artigo 5º. caracteriza como crime hediondo, inafiançável e imprescritível e os artigos 1º. e 20º. Que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor.
b)       O movimento hip-hop e a cultura jovem: há muitas formas de reconhecer a influência africana em nossa cultura e na dos demais países da América em que vigorou a escravidão. Uma dessas influências é a cultura hip-hop e suas diversas manifestações (rap, grafite e break dance), que tiveram origem no movimento negro nos Estados Unidos, mas que tomou proporções mundiais, inclusive influindo diretamente nos movimentos jovens brasileiros. A sua inserção no Brasil se deu principalmente nas grandes cidades, como forma de protesto acerca das condições sociais e étnico-raciais de parte da população brasileira.

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