quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Textos para 2a. série / Ensino Médio - 4o. bimestre

13. A tectônica de placas e o relevo brasileiro
Profa. Celina – Geografia – 2ª. série – EM

Os conhecimentos sobre o relevo terres­tre vêm assistindo a reinterpretações à luz de novas explicações teóricas que ganharam terreno nas últimas décadas do século XX. No caso específico do relevo brasileiro não é diferente. Novas lógicas que ajudam a com­preender seu dinamismo estão presentes não somente no mundo da ciência, mas também aparecem trabalhadas na Geografia escolar. Além da atualização dos conhecimentos, as novas interpretações sobre o relevo brasileiro e sua dinâmica obrigam a uma mudança de postura: per­de sentido aquele tipo de saber sustentado na memorização e avança um conhecimento analítico do processo, que contribui para que construirmos recursos de observação e análise dos fenômenos naturais. Isso nos quali­fica a refletir sobre as relações entre os diver­sos elementos da natureza, assim como sobre as relações do ser humano (das sociedades) com a natureza.
No capítulo “Natureza e riscos ambientais”, no 3º. bimestre, trabalhamos com as estruturas e formas do planeta Terra, as diferentes funções dos agentes internos e ex­ternos na formação das condições superficiais do planeta, o conjunto de explicações sobre a dinâmica da litosfera de modo genérico, tendo em vista o planeta como um todo. É impor­tante resgatar agora o essencial, para tratar do caso brasileiro.
Vamos explorar um aconteci­mento que ficou marcado na nossa memória: no dia 22 de abril de 2008, às 21h27, a cidade de São Paulo foi atingida por um tremor de 5.2° na esca­la Richter. Um tremor também é conhecido como terremoto. Vocês ouviram falar dele ou o sentiram? No Brasil há terremotos? Alguém se lembra de algum tremor ocorrido em nosso território? Já houve vítimas fatais de terremotos no Brasil?
No Brasil podem ocorrer terremotos leves. O terremoto de 22 de abril de 2008 teve como epicentro um ponto no Oceano Atlântico, a cerca de 215 km de São Vi­cente, na Baixada Santista, Estado de São Paulo. O epicentro é a área onde o terre­moto atinge intensidade máxima (a par­te interna da litosfera em que se origina um terremoto é chamada de hipocentro, e a parte externa da litosfera que recebe a energia máxima originada no hipocentro é justamente o epicentro).
Em 14 de novembro de 2007, outro tre­mor foi sentido em várias áreas da cidade de São Paulo, a ponto de alguns edifícios terem sido evacuados. O tremor foi reflexo de um terremoto ocorrido no Chile poucos minutos antes.
Em 9 de dezembro de 2007, no município de Itacarambi (MG), foi registrado um tremor de 4,9° na escala Richter e houve, inclusive, uma morte. Há, também, vários registros de terremotos em Sobral (CE) e em João Câmara (RN). Todos esses abalos sísmicos têm algo em comum: seus epicen­tros estão no próprio local de ocorrência.
Já ocorreram terremotos no mundo que marcaram a vida de alguns povos e que jamais serão esquecidos. Por exemplo: o terremoto de Lisboa, em 1755, foi uma das maiores tragédias da época e marcou defi­nitivamente a vida daquela cidade - prati­camente destruiu a cidade e matou 70 mil pessoas; o terremoto recente que atingiu a China, em 12 de maio de 2008 (província de Sichuan), cujo número de mortos superou os 70 mil, além dos milhares de desapare­cidos. E por que não há registro na memória da população brasileira dos terremotos que ocorreram em nosso território?
Porque a intensidade dos terremotos e as perdas huma­nas e materiais não foram grandes.
Observando a tabela “Entenda os efeitos dos terremotos”, na página 3 do caderno do aluno, temos instrumentos suficientes para compreender por que os terremotos no território brasileiro não deixam marcas em nossa memória: porque eles pratica­mente não deixam marca nos espaços humanos, visto que o maior deles alcançou 6,6° na escala Richter e ocorreu em uma região pouco habitada na época, não ocasionando danos graves. Já os terremotos de Lisboa e da província de Sichuan atingiram 9,0° e 7,9°, respectivamente.
A força letal de um terremoto não está ape­nas associada à intensidade do seu epicentro. No caso do tremor ocorrido na província de Sichuan, além da intensidade do terremoto, as característi­cas daquele espaço humano pesou no número de vítimas: alta densidade demográfica, precariedade das construções, condições difíceis de acesso para o socorro das vítimas etc.
A lógica dos tremores pode ser apreendida tendo em conta a localização dos epicentros e a intensidade dos terremotos. E isso não vai permitir apenas a explicação dos terremotos, mas também a lógica da formação das estruturas do relevo brasileiro, assunto principal deste capítulo.

A dinâmica da crosta terrestre e a lógica dos tremores
Esta etapa pode ser iniciada pela discussão dos terremotos. Vamos ler o texto "A instabilidade da crosta terrestre", apresentado na página 5 do caderno do aluno, observando o “Mapa das placas tectônicas” na página 7.
No terremoto que aconteceu em novembro de 2007, o epicentro do terremoto em foi no Chile e pode-se notar que esse ponto se encontra na área de contato da placa Sul-americana com a placa de Nazca; já o que aconteceu em dezembro de 2007, em Ita­carambi (MG), o epicentro foi no próprio local, e notamos que se deu quase no meio da placa Sul-ameri­cana. O epicentro do terremoto que aconteceu em abril de 2008, em São Paulo, foi a 215 km da costa brasi­leira, no Oceano Atlântico. Assim, temos: um terremoto em área de contato de placa e dois terremotos no interior da placa Sul-americana, em pontos afastados de suas bordas.
"Tremor" tem o mesmo significado de terremoto ou abalo sísmico. O que treme, em um terremoto, é a placa tectônica. Na verdade, partes dela, que por vezes são bem pequenas. Os tremores são produzidos pela atividade interna do planeta, quando a ener­gia resultante dos esforços das placas para se movimentar é liberada repentinamente. Observe o quadro “Placas tectônicas e terremotos”, na página 11 do caderno do aluno.
Para ajudar a organizar o pensamento, uma questão pode ser colocada:
Como as placas se movimentam, podem acon­tecer três situações nas áreas de contato. Quais são elas?
1.   as placas se encontrarem e se chocarem (movimento convergente);
2.   as placas se afastarem (divergente);
3.   as placas não se encontrarem nem se afastarem, logo não provocam destrui­ção, porque fazem movimentos paralelos (transcorrente e/ou conservativo).
Encontrando ou se afastando, a atividade interna da Terra che­ga mais facilmente à superfície nas áreas de contato de placas do que nos seus centros, em virtude da descontinuidade existente. O que pode ser acrescentado agora à análise dos epicentros dos três terremotos que estão sendo utilizados como exemplos? Que há um terremoto nas áreas de encontro de placas e dois terremotos intraplacas, em pontos em que há falhas ou fragi­lidades na placa. Nesse último caso, vale lembrar que a ocorrência de tremores pode ser facilitada ou dificultada pela espessura da placa. As regiões em que ela é mais fina são as mais sensíveis. É ali que ela pode se romper mais facilmente, diante das pressões do interior da Terra.
O que interessa deixar claro são os diferen­tes exemplos de terremotos apresentados. Por exemplo: os tremores nas áreas de destruição de placas (áreas de choque) tendem a ser mais for­tes, mais frequentes, logo, causam mais dano. Mas será que o movimento das placas e a presen­ça de falhas e fissuras só servem para explicar os eventos sísmicos (terremotos e vulcanismo)? Ou terão também importância no momento em que a questão abordada é o relevo?

Uma biografia ("abiografia") da placa Sul-americana e suas repercussões no relevo brasileiro
As placas tectônicas são segmentos da crosta terrestre ou litosfera. A litosfera, em conjunção com a hidrosfera e a atmosfera, formam os domí­nios naturais. Podemos nos referir aos domínios naturais como o mundo inorgânico ou o meio abiótico (sem vida). Por outro lado, quando no meio inorgânico a vida floresce, constitui-se o meio biótico. É importante lembrar que uma placa tectônica é um elemento do mundo abió­tico. Ela não tem vida. Não tem vida, mas tem dinamismo, se transforma, tem uma trajetória, pois se movimenta no magma e no tempo. Tem uma biografia? Não, pois biografia somente os seres vivos têm. Por isso, só podemos traçar uma "abiografia" da placa tectônica Sul-americana.
Como e quanto a dinâmica da placa Sul-ameri­cana interferiu na estruturação do relevo atual do território brasileiro?
Há aproximadamente 225 milhões de anos, a Pangeia começou a se fragmentar e, há cer­ca de 135 milhões de anos, um grande bloco no sul do planeta (Gondwana), que já havia se desprendido da Pangeia, começou a se rom­per. No seu interior iniciou-se a abertura do Oceano Atlântico, separando o que viriam a ser os continentes da América do Sul e da África. Trata-se da placa Sul-americana, an­tes colada à placa Africana, que começou a se deslocar para o oeste. O quadro “Placa Sul-americana: movimentos tectônicos” procura sintetizar essa dinâmica.


Alguns pontos auxiliam na compreensão da rela­ção entre a dinâmica da placa Sul-americana e o relevo brasileiro.
Quando iniciou a separação das placas Afri­cana e Sul-americana (200-135 milhões de anos atrás),  a velocidade da movimentação, em direção ao oeste, era de 1,2 cm ao ano e a costa leste da América do Sul ficou sendo área de borda de placa; logo, suscetível aos efeitos das atividades in­ternas, abaixo da crosta terrestre. Algumas alterações no relevo da costa leste do Brasil podem ter começado nesse processo.
Na divergência entre as placas Africana e Sul-americana, houve intrusão de mate­rial magmático, que foi se solidificando e, na medida em que as placas se afastavam, formava-se o fundo do Oceano Atlântico, com parte vinculada à placa Sul-americana e parte à Africana. As placas aumentaram, com o acréscimo de assoalho oceânico e/ou crosta oceânica, criando uma nova exten­são de 4 100 km.
Ao mesmo tempo, movimentando-se em direção ao oeste, a placa Sul-americana se encontrou com a placa de Nazca, que, por ser mais densa, entrou por baixo da pla­ca Sul-americana, soerguendo (levantando) sua borda e dando origem à Cordilheira dos Andes. Nesse processo de mergulho, a placa de Nazca está submergindo, onde se funde com o magma.
Há interpretações que buscam explicar que, quando a Cordilheira dos Andes se originou (há cerca de 60 milhões de anos), com a elevação da borda oeste da placa Sul-americana, teria havido uma repercus­são em todo o conjunto da placa. Trata-se de uma repercussão desigual, visto que al­gumas áreas de rochas menos resistentes foram mais levantadas que outras, cons­tituídas por rochas mais resistentes. Foi nesse momento - essa é a hipótese - que teriam ocorrido os movimentos que de­ram origem às escarpas das Serras do Mar e da Mantiqueira. No en­tanto, pesquisas têm mostrado indícios de que o relevo da costa leste do Brasil não teria uma relação tão imediata com o soerguimento dos Andes.
A dinâmica (ou "abiografia") da placa Sul-americana deixou quais heranças na atual configuração do relevo brasileiro?
No relevo da América do Sul, deixou a por­tentosa Cordilheira dos Andes, em sua bor­da oeste, e, no território brasileiro, deixou alterações gerais que variaram segundo a condição da geologia dos terrenos. Um fato notável para a região Sudeste, especifica­mente para o Estado de São Paulo, são as falhas geológicas expressas nas escarpas da Serra da Mantiqueira e da Serra do Mar. As alterações são difíceis de ser demonstra­das, e mais difícil ainda é distingui-las das formas de relevo anteriores a esse momento de orogenia (processo de formação de montanhas, que se dá a partir de vários fenômenos geológicos) na borda oeste da placa. Após esses eventos, nenhum tectonismo impor­tante atingiu a placa Sul-americana; logo, o território brasileiro e suas formas de re­levo atuais têm no processo erosivo a sua principal força dinâmica.
A resposta anterior ex­pressa um campo com algumas incertezas sobre o desencadeamento das repercussões no relevo brasileiro em razão dos movimen­tos tectônicos da placa Sul-americana, mas seguramente o relevo brasileiro contém heranças do movimento dessa placa. Entre­tanto, algo ainda precisa ser acrescentado:
Toda a movimentação da placa e os abalos sofridos que repercutiram no relevo se deram sobre a superfície anterior da placa, antes de sua separação de Gondwana, que constituía a placa, e, mais diretamente para nosso interesse, o território brasileiro. Esse material estrutural pode resistir mais ou menos aos movimentos, por isso é preciso conhecer essa estrutura geológica.
O Oceano Atlântico tem 200 milhões de anos e, por consequência, o assoalho oceânico, resultado de uma parte nova da placa Sul-americana e da placa Africana.
Os terrenos vêm da Pangeia e têm bilhões de anos. Sabe-se isso por meio da datação de rochas encontradas em velhas cadeias montanhosas, hoje muito erodidas. Logo, a placa Sul-americana tem um segmento continen­tal muito antigo e um segmento oceânico novíssimo.
As idades da crosta oceânica e da cros­ta continental são bastante contrastantes e indicam um fator-chave da estrutura geoló­gica: o tempo de formação. Esse tempo in­terfere na constituição interna da estrutura. No interior do próprio continente sul-americano, há terrenos com idades bem diferen­tes, o que também acontece se reduzirmos a observação ao Brasil. O mapa “Brasil: grandes estruturas” é uma representação qualitativa e distingue grandes extensões de terrenos estruturais do Brasil. A distin­ção é feita por cores. E por isso se distingue rapidamente estruturas diversas de terrenos em termos geológicos.
O quadro “Simplificação operacional da legenda do mapa Brasil: grandes estruturas”, na página 16 do caderno do aluno simplifica as infor­mações cartográficas. O mapa traz informações detalhadas, mas o quadro traz uma classificação mais compacta para auxiliar no seu raciocínio.
Abaixo, o quadro explica três termos que aparece no quadro anterior: áreas cratônicas, dobramentos antigos e bacias sedimentares.



14. As formas de relevo brasileiro e as funções das classificações

As formas do relevo brasileiro expressam tempos da natureza muito distintos. Podemos observar que eventos de bilhões de anos atrás combinados com outros bem mais recentes deixaram suas marcas. Descrever as grandes formas de relevo brasileiro não é tarefa simples em função da enorme escala territorial de nosso país. No entanto, para enxergar a organização do relevo é preciso também organizar o olhar. Essa é a função das diversas classificações do relevo brasileiro. Elas organizam nosso olhar, cada uma a seu modo. E cada uma delas nos dá acesso a realidades distintas.
As formas de rele­vo devem ser compreendidas na sua dinâmi­ca, e o mesmo acontece com as classificações. Elas se alteram mais que as próprias formas de relevo. O relevo muda, porém bem mais lentamente que o conhecimento humano. Além de discutir as forças que atuam na constituição do relevo brasileiro, vamos refletir sobre as próprias formas de classificação e como, por meio de teorias que reúnem forças estruturantes, formas e medidas, constroem-se olhares produtivos sobre essa dimensão da natureza, que é o modelado da crosta terrestre, mais especificamente, o mo­delado brasileiro.
O relevo não é produto apenas dos movimen­tos tectônicos, mas de outra força que atua na superfície terrestre: a erosão.
Alguns termos se referem às formas da superfí­cie terrestre: relevo, modelado, Geomorfologia, topografia. Certamente, a palavra modelado tem maior correspondência com a linguagem corrente. A superfície terrestre é modelada por irregularidades. Por exemplo: a Cordilheira dos Andes, que é um soerguimento da placa Sul-americana, é uma irregularidade que compõe o modelado da Terra.
- Relevo: forma da Terra, modelado, que re­sulta da interação das forças internas (tectônica) e das forças externas (erosão no sentido amplo);
- Modelado: considerado um sinônimo infor­mal de relevo, é a forma da Terra ou então a "epiderme" da Terra;
- Geomorfologia: trata-se de uma das áreas que compõe a Geografia Física, ao lado da Climatologia, Hidrografia e Biogeografia. Seu objeto de estudo é justamente o relevo, tanto dos blocos continentais quanto do fundo oceânico. Seus objetivos são medir, descrever as formas e explicar as origens e a evolução do relevo;
- Topografia: conjunto de saberes técnicos que contribuem para apreender o espaço se­gundo a localização e a medida dos objetos geográficos visíveis (aqui se encontram as es­truturas do relevo e, também, os rios, os objetos construídos pelo ser humano etc.).
Se entre as funções da Geomorfologia está a de medir o relevo, os conhecimentos de Topografia serão necessários.

Classificações das macroestruturas: modos de apreender e de ver
Ao trabalhar a dinâmica da placa Sul-ame­ricana, parte dos estudos sobre o relevo bra­sileiro estava sendo realizada. Essa parte diz respeito aos processos que ocorrem na estru­tura da crosta terrestre, revelados pela teoria da tectônica de placas. Mesmo em se tratando de origem e evolução das formas de relevo, esses estudos são parciais, porque outro agente igualmente poderoso na definição das formas da superfície terrestre precisa ser considerado: a erosão.
O que entendemos, quando falamos sobre construção e destruição?
- No encontro das placas tectônicas Sul-americana e de Nazca, fala-se em destruição da borda da placa, mas também se pode falar em construção de relevo, mais propriamen­te da Cordilheira dos Andes;
- Na área de divergência das placas Sul-americana e Africana, há afloramento de mag­ma para a superfície, que, ao se solidificar, tem efeito construtivo: faz crescer as duas placas, ampliando a crosta oceânica, e origina cadeias montanhosas no fundo do Oceano Atlântico, como a Dorsal Mesoatlântica. Neste caso, constrói-se placa e constrói-se relevo submarino;
- Na superfície terrestre, a erosão é uma força destrutiva de relevo, podendo, ao longo de milhões ou bilhões de anos, arrasar inte­gralmente uma cadeia montanhosa. Mas, se estivermos pensando apenas nas formas de relevo, a erosão pode ser considerada uma escultora, que vai desenhando formas, mas uma escultora insatisfeita, que vai esculpin­do até nada mais sobrar. Porém, ao mesmo tempo em que destrói, a erosão constrói outros relevos, e é a causa da deposição de sedimentos em áreas mais baixas, dando origem a planícies, por exemplo.
Considerando a escala planetária, nos úl­timos 60 milhões de anos (vide escala geo­lógica do tempo) não têm ocorrido eventos tectônicos que construam relevo, mas têm ocorrido, de forma incessante, processos que destroem relevo, que, na verdade, vão lhe dan­do formas. Trata-se da erosão, cujos agentes principais são as águas, as geleiras e os ven­tos. A erosão remove, desgasta, transporta os resíduos e deposita-os em outras localidades mais baixas.
Considerando as origens e a evolução (di­nâmica) das formas de relevo, vale reconstituir as forças trabalhadas: o tectonismo e a erosão. Ambas são responsáveis tanto pelas formas como pela altura do relevo ao longo do terri­tório brasileiro.
O tectonismo, a erosão, as formas e a altura são palavras-chave, fundamentais e su­ficientes para se entender e ver o relevo brasilei­ro. De modo geral, qualquer forma de descrever e classificar o relevo brasileiro vai combinar e fundir esses quatro elementos:


tectonismo ↔ erosão ↔ forma ↔ altura (altitude)



Como é possível ver o relevo em uma exten­são e em uma escala tal como a do território do Brasil? Não é fácil, dadas as dimensões e tam­bém a variedade do que nossos olhos verão. Não se vê o relevo de um território sem algum treino, sem alguma preparação. Ao olhar o re­levo sem preparação, seremos como míopes; na verdade, precisamos de critérios e de orga­nização, que vão funcionar como óculos espe­ciais para vermos o relevo brasileiro.
Um primeiro passo será ter sob controle as grandes formas de relevo, ou as macroformas do relevo: planalto, planície, cadeias montanhosas e depressões.


Em nosso território, não temos cadeias montanhosas recentes e nem altas, pois foram quase integralmente erodidas (aqui existem apenas testemunhos de dobramentos antigos na estrutura geológica). Apenas as outras três macroformas estão presentes no território brasileiro: planícies, planaltos e depressões.
O mapa “Brasil: formas de relevo”, nas páginas 22 e 23 do caderno do aluno, traz uma proposição de classifica­ção do relevo na escala do território nacional.
Tra­ta-se de uma representação qualitativa, que procura diferenciar os elementos representa­dos fazendo uso do recurso de cores distin­tas. Talvez o mapa não tenha resolvido bem como diferenciar os compartimentos, que na verdade são apenas três, com subdivisões. A questão é que as subdivisões ficaram com o mesmo peso visual que as três compartimentações fundamentais (planícies, planaltos e de­pressões). Outro problema: os tons de marrom imprimem em nossos olhos uma ordenação de um mesmo fenômeno, que não é o caso aqui. Pode ser que isso fosse mais bem resolvido se a diferenciação dos compartimentos fosse fei­ta com três cores, e as subdivisões estivessem assinaladas com números, tal como acabou sendo utilizado. O mapa tem de mostrar os três compartimentos, a nitidez e a po­sição que eles têm de ter na hierarquia visual, e não podem confundir visualmente sob o peso das subdivisões.
Há uma evidente associação das formas de relevo à estrutura geológica subjacente (embaixo de outro). Os critérios que esse autor utiliza levam em conta os processos constituintes (erosão, deposição e tipo de estrutura), e ele procu­rou deixar isso ressaltado no mapa.
O importante é ver a distribuição das for­mas de relevo do Brasil e compreender a lógi­ca que explica a existência das macroformas associadas a vários fatores naturais que atuam no interior e na superfície terrestre.
O território brasileiro não possui grandes altitudes e não tem eventos tectônicos re­centes; é muito trabalhado pela erosão e tem quase 99% de sua extensão formada por terrenos com menos de 1 200 m de al­titude: 41% têm de 0 a 200 m e 58,5% che­gam a até 1 200 m.
Outras classificações de relevo são possíveis, e só dependem dos critérios empregados, e dos elementos considerados e reunidos. Além disso, as formas de relevo podem ser trabalhadas em combinação com outros elementos da paisagem, tais como as formações vegetais e as condições climáticas. Esse é o caso de uma classificação muito conhecida proposta pelo geógrafo Aziz Ab’Saber denominada Domínios Morfoclimáticos, que podemos observar no mapa “Brasil: domínios morfoclimáticos”, na página 25 do caderno do aluno. Esse mapa trata-se também de uma representação qua­litativa que diferencia compartimentos.

15. Águas no Brasil: gestão e intervenções

Um agente erosivo fundamental é a água. Seu movimento na superfície terrestre se orienta con­forme a gravidade e, nesse movimento, estrutu­ram-se rios maiores e menores que se articulam, formando bacias hidrográficas. Estas, por sua vez, terminam sendo a referência para medir, contro­lar e administrar as águas sobre a superfície. Isso porque, ao se falar de água, estamos nos referin­do ao principal recurso natural que dá suporte à vida humana e à vida de modo geral.
Neste capítulo, vamos iniciar as discussões sobre os recursos natu­rais e as formas de uso e gestão empregadas no Brasil.
O que inaugura essas discussões é justa­mente a questão da água: a grande disponi­bilidade em nosso território, sua distribuição no território, marcadamente desigual e os pro­blemas associados ao seu uso e desperdício.
Uma afirmação que já se tornou senso comum: o Brasil tem uma posição bem favorável em matéria da presença daquele que é, sem dúvida, o principal recurso natural do planeta: a água. Em 2005, o país dispunha de 8233 km3 (km cúbicos) de recursos hídricos anuais renová­veis (água doce), ou seja, 14,9% dos 55273 km3 do planeta. A disponibilidade média anual por habitante é de 45 573 m3, o que é um índice muito elevado.
Sendo assim, o Brasil enfrenta problemas com o abastecimento de água para o consumo da população e para as atividades econômicas que exigem o uso da água?
Uma desconfiança é saudável em rela­ção a afirmações muito otimistas nessa área. A questão da gestão e do uso de recursos naturais está sempre cercada de muita complexidade, pois são vários os fatores que interferem e, por vezes, o fato de um país ter boa disponibilidade de um dado recurso não garante que seja bem utilizado ou que não venha a faltar.
Alguns elementos, que problematizam o nosso "privilégio" em relação à água, foram listados na página 31 do caderno do aluno. Essa lista dá uma idéia da multiplicidade de problemas que envolvem o uso da água como recurso natural. É evidente que é me­lhor ter a disponibilidade de água que há em nosso país do que não ter, mas, como já foi dito, isso por si só não garante o abasteci­mento justo e sustentável desse recurso em benefício de toda a população; portanto, tal disponibilidade não dispensa a necessidade de uma gestão inteligente desse recurso.
A distribuição geográfica da água é um deles: a região de menor densidade demográfica do país, a Amazônia, tem o maior volume de água doce, representando, na verdade, mais de 70% do volume das águas das bacias hidrográficas do país. Áreas bem mais povoadas não têm toda essa disponibilidade. Algumas delas vivem, inclusive, situações de escassez, como no caso do semiárido nordes­tino, ou, em outra escala geográfica, centros urbanos como a metrópole de São Paulo. O que mais pode ser acrescentado a esse pro­blema relativo à distribuição das águas no ter­ritório nacional? Há problemas de abastecimento de água no cotidiano de cada um? Falta de água? Custo elevado? Água de má qualidade?

Água: da abundância à escassez, uma questão de gestão
O mapa “Brasil: regiões hidrográficas”, na página 30 do caderno do aluno, dá uma idéia da abundância de água no Brasil. Em comparação com o restan­te do mundo, o Brasil detém 12,7% da água doce superficial do mundo e, em razão disso, é considerado um país rico nesse recurso funda­mental para a vida; porém, o mapa e esse dado em relação ao planeta não são suficientes para mostrar a desigualdade dessa distribuição no Brasil. Por isso, observe a tabela “Brasil: área e produção hídrica absoluta e relativa das regiões hidrográficas”, na página 29 do caderno do aluno.
O intuito é contrastar o que significa a região amazônica e sua hidrografia no conjunto brasileiro, algo que não é possível se constatar somente por meio do mapa. Em comparação com outras áreas mais habitadas, fica eviden­ciado que o Brasil mais populoso, urbanizado e industrializado não tem tanta água disponí­vel. Daí, quem sabe, surjam projetos ousados e temerários que transfiram água de localidades abastadas (ricas) para as carentes, algo que na esca­la territorial do Brasil está muito longe de ser simples, como, por exemplo, a transposição das águas do Rio São Francisco, que será discutida mais adiante.
Para trabalhar a questão do uso e da gestão da água no Brasil, muitas possibilidades podem ser adotadas, haja vista a imensidão de situa­ções e relações em que esse recurso está presente. Exploraremos duas situações de escalas distintas:

  • Na escala das cidades (escala local): a me­trópole de São Paulo
Um rio é uma realidade regional. Porém, suas condições variam segundo escalas menores. Nesse momento, vamos explorar a condição local dos rios na escala da metrópole de São Paulo.
A cidade de São Paulo possui alguns rios no seu espaço, na sua paisagem: Tietê, Pinheiros, Tamanduateí, mas como exemplo, vamos falar do Rio Tietê, um dos mais importantes. Qual é o problema do nosso mais impor­tante rio, na mais importante cidade do Estado e do país? O Rio Tietê corta a capital paulista próximo à região central, assim como o Rio Sena corta Paris. Veja a foto do Rio Tietê, na página 33 do caderno do aluno.
Como é a estrutura básica do Rio Tietê na área de metrópole e como ela favorece a de­gradação do rio? O rio é muito usado pela população? Como é usado? Que efeitos tem esse uso para o rio?
Essas questões a propósito do Rio Tietê resumem os dramas que cercam o uso dos recursos natu­rais no Brasil.
O Rio Tietê nasce na região metropolita­na de São Paulo, logo, esse é o segmento onde ele possui menos água, ao mesmo tempo em que é nessa área que ele re­cebe a maior sobrecarga de poluentes e objetos sólidos de todos os tipos. Em direção ao interior, a sobrecarga diminui e o volume de água aumenta. Isso explica porque o rio está praticamente morto na metrópole, mas adquire vida no interior. Esse também é o caso do Rio Sena, na França; no entanto, obras de desvios de outros rios para o Rio Sena na área metropolitana de Paris aumentaram seu volume de água, ajudando a melhorar as condições de suas águas.
O Rio Tietê sofre uma imensa sobrecar­ga, não por ser muito usado, mas por ser usado de uma única maneira na área me­tropolitana, o que inviabiliza outros usos. Fosse mais intensamente usado, melhor seria seu estado. Parece contraditório? Mas não é! E como isso pode ser de­monstrado? O Rio Tietê é parte (e já foi a principal) dos sistemas de saneamento e de limpeza da cidade. E isso se mantém até os dias de hoje, sem que as autorida­des mostrem força para conter o que já é proibido por lei. Esse uso impede todos os outros. É possível fazer uma lista:
-   As águas do Tietê não podem ser usa­das para beber nem para irrigar plantações. A cidade tem de captar água no Alto Tietê, região menos poluída, sendo que o segmento que corta a ci­dade não pode contribuir para o seu abastecimento;
-   O Rio Tietê não é fonte de alimentação, não há peixes em um rio poluído;
-   A  navegação  na  área  metropolitana poderia ser ao menos utilizada como transporte e lazer, e isso, nas condições atuais, é impossível;
-   Suas águas poluídas dificultam o seu uso para a geração de energia;
-   O rio não se apresenta como uma área de lazer e suas várzeas não são valo­rizadas, em razão da imensa poluição. Suas várzeas são usadas também para escoar uma frota automobilística gi­gantesca;
-   O Rio Tietê não pertence positivamen­te à paisagem da cidade de São Paulo, que, em geral, procura ignorá-lo, sem deixar de usá-lo da forma inadequada como faz.
Assim, pode-se dizer que houve uma opção por um uso limitado do Rio Tietê e, desse modo, ele está sendo muito deteriorado. Se esse uso (sistemas de saneamento e de lim­peza) fosse encerrado, todos os outros pode­riam ser colocados em prática, e ele estaria em melhores condições.

  • Na escala de uma grande bacia hidrográfica (escala regional): O caso da transposição das águas do Rio São Francisco
O semiárido é uma região do Nordeste brasileiro que sofre de escassez hídrica na­tural, afetando gravemente sua população. Isso soa estranho em um país com tamanha abundância de água. Na região, vindo do sul, há um grande rio, o São Francisco, que constitui uma das mais importantes bacias hidrográficas do país e se estrutura em par­te no domínio morfoclimático marcado pe­las depressões interplanálticas semiáridas do Nordeste, como podemos observar no mapa “Brasil: domínios morfoclimáticos”, na página 25 do caderno do aluno. Este rio, que já teve vários usos, encontra-se em situação problemática: suas águas diminuíram de volume; há barragens e represas no seu cur­so; está bastante assoreado (entulhado) e a carga de po­luentes que recebe das áreas urbanas e das zonas agrícolas tem aumentado.
Como gerir e revitalizar esse rio? Será essa a discussão mais importante?
Não, não é! O Rio São Francisco é alvo, atualmente, de uma grande e controversa obra que busca transpor para o interior do semiárido, parte de suas águas. Essa empreitada ficou conhecida como trans­posição do São Francisco. O termo trans­posição significa a transferência de águas de uma bacia para outra. No que diz respeito à escala da obra, quando se interfere no curso de um rio tão grande quanto o São Francisco, influencia uma vasta bacia hidrográfica e não se sabe ao certo como isto pode impactar o meio ambiente, com suas formações vegetais e fauna. As consequências sociais e econômicas de uma obra desse porte não podem ser previstas com se­gurança. Uma demonstração disso é que existem variadas opiniões a respei­to: opiniões contrárias e favoráveis, de engenheiros, de ambientalistas, de geó­grafos, de geólogos, de especialistas em hidrografia etc.
 Vamos ler um documento oficial, do Ministé­rio do Meio Ambiente, “Águas: um bem público em risco”, na página 34 do caderno do aluno. Uma questão a respeito desse texto deve ser destacada a fim de integrar as preocupa­ções e as reflexões. Se a gestão pública dos recursos hídricos do país é tão precária, inclusive em ações mais simples, se praticamente não há políticas públicas de conservação desses recursos (e a descrição do texto não deixa dúvidas), que confiança se pode ter na pertinência da obra na correção e previdência dos estudos que a fundamentam?
Uma obra dessa envergadura, e que já está em andamento, foi suficientemente discutida por todos os setores da sociedade? Essa é uma questão de fundamental impor­tância em uma sociedade democrática. Seria muito bom refletir sobre tudo isso.
Aqui vale lembrar uma fábula para esti­mular a reflexão: o aprendiz de feiticeiro. De acordo com esta fábula, conhecida e repeti­da muitas vezes na literatura e no cinema, por meio de diversos personagens, a con­fiança excessiva no poder da magia (no caso do Rio São Francisco, no poder da técnica) pode levar os aprendizes a perder o controle do que fazem. Qual a segurança e a certeza a respeito dos des­dobramentos e consequências da obra? Isso é muito importante para a análise do texto: verificar se os argumentos são cercados de "pode ser que", "é provável que", "não se sabe quanto", "é possível que", "se tudo der certo" e outras expressões do gênero. Qual o nível de incerteza que uma obra dessas pode comportar? Será que vale a pena correr o risco de uma intervenção que pode salvar ou melhorar vastas áreas, mas também pode ser um imenso desastre?
Esses exemplos ilustram-se formas possíveis de questionar as políticas referen­tes aos recursos naturais, um dado impor­tante das relações que estabelecemos com o mundo natural: a primeira forma trata mais de gestão do uso; a segunda, refere-se prin­cipalmente à reorganização da distribuição dos recursos naturais na superfície terrestre, com o ser humano pondo em prática (e arris­cando) o seu engenho técnico.

16. Gestão dos recursos naturais: o “estado da arte” no Brasil

A princípio, é justo admitir que os recur­sos naturais de um país sejam bens públi­cos. Boa parte deles (terras, solos, águas) é indispensável à vida social e não existiriam sociedades se eles não fossem, ao menos par­cialmente, utilizados de forma a beneficiar grupos humanos amplos. É certo que, ao longo da história mundial e nas sociedades modernas, vários desses recursos foram privatizados. Porém, essa forma de organizar o acesso aos recursos não exime os Estados de realizar políticas, ações e ordenamentos jurí­dicos para garantir que os recursos naturais sejam bem utilizados e que as populações não sofram com a escassez de recursos que estão monopolizados nas mãos de poucos.
Além desse aspecto, é obrigação dos órgãos governamentais, especificamente, e públicos em geral, zelar pelo uso racional e sustentá­vel e, também, pela conservação dos recursos naturais presentes no território, seja em áreas públicas, seja em áreas privadas, que, por sua vez, devem seguir regras públicas.
Neste último capítulo será dis­cutido um breve panorama da gestão pública dos recursos naturais, uma preocupação pou­co presente na agenda política nacional, a não ser recentemente, quando se percebem sinais e esforços sobre a necessidade de gerir bem esses recursos, que embora indispensáveis, po­dem desaparecer.
Natureza e recursos naturais são sinônimos? Recurso para quem? Tudo na natu­reza é recurso natural para o ser humano? Ou, mais detalhadamente: Tudo o que hoje é recurso natural para o ser humano também era recurso natural para os nossos antepassados?
Recurso natural é o conjunto de elementos da natureza importantes para a vida humana, valorizados diferencialmente pelos seres humanos segundo a época e as diversas culturas.
A idéia de recursos naturais tem o ser huma­no no centro, e não a natureza. Um exemplo, entre outros, pode mostrar como os recursos naturais mudam segundo culturas e épocas his­tóricas: o urânio é o que chamamos hoje de re­curso mineral, importante matéria-prima que, processada, torna-se combustível para obten­ção de energia nuclear, empregada na geração de eletricidade, nos transportes, além de ser­vir também para importantes aplicações na medicina. É um recurso natural para a socie­dade contemporânea, em razão de uma dada tecnologia desenvolvida. Mas não era para as sociedades do passado. E quem sabe não será também para as sociedades do futuro, visto que se trata de um recurso aplicado a uma tecno­logia inicialmente utilizada para a fabricação de armamentos e que ainda não tem uso ci­vil muito seguro; por tudo isso, pode vir a ser desprezado.
O exemplo do urânio serve para mostrar o caráter mutante da idéia de recurso natural.
Não há mudanças somente quanto ao que é recurso para uma ou outra cultura. Atualmente, há outras mudanças importantes sobre o modo como o ser humano se relaciona com os recursos naturais: são mudanças éticas. A nova leitura ética sobre essa relação pergunta: É justo que os seres humanos usem os re­cursos naturais considerando apenas seus interesses e de tal maneira que leve à extin­ção outros seres vivos? É justo que as sociedades contemporâneas usem incessantemente os recursos naturais, sem os cuidados devidos, desperdiçando de modo a não haver garantia de recursos para as gerações humanas futuras?
Cuidados com os outros seres vivos e com as gerações futuras significam mudanças nas rela­ções do ser humano com a natureza e com o que ele escolher como recurso natural. Algo nessa direção está sendo designado como desenvol­vimento sustentável. É importante lembrar que há recursos naturais renováveis e não renováveis, cujo uso e gestão deve ser considerado de forma muito diferente, dentro do conceito de desenvol­vimento sustentável.

O nascimento de uma preocupação: a gestão dos recursos naturais
Vamos ler um importante texto, “Gestão dos recursos naturais”, na página 36 e 37 do caderno do aluno, que aponta, tendo como perspectiva, as novas preocupações éticas, a sustentabilidade e o caminho a ser trilhado pela gestão pública dos recursos naturais.
O texto começa com uma lista de estra­tégias que devem ser implementadas. Deve-se ressaltar que todas partem do princípio de que os recursos naturais são bens que têm uma dimensão públi­ca, e que devem ser tratados assim; por isso, a proposição da máxima participa­ção dos cidadãos.
A segunda parte do texto levanta algu­mas condições necessárias para criar idéias e políticas de gestão dos recursos naturais, que, conforme os princípios da sustentabilidade, são bens públicos e de­vem ser tratados como tal. Além disso, aponta a importância do conhecimen­to do meio natural e de algo bastante discutido anteriormente: as interações entre os meios abióticos (do­mínios naturais = litosfera + hidrosfera + atmosfera) e o meio biótico (meio am­biente = domínios naturais + vida).
A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, reali­zada no Rio de Janeiro, em 1992, aprovou um documento denominado Agenda 21, que contava com uma série de compromissos en­tre os países que o assinaram e que assumi­ram o desafio de incorporar em suas políticas públicas ações com vistas a um desenvolvi­mento sustentável. A idéia era que os países criassem para suas realidades específicas uma Agenda 21 Nacional, e isso foi realizado no Brasil, sob a coordenação do Ministério do Meio Ambiente. O texto apresentado vem do documento elaborado pela Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e da Agenda 21 Nacional.
Leia um pequeno trecho da Constituição Federal do Brasil, na página 38 do caderno do aluno.
Estão observando algo que pode ser designado como nova preocupação ética no que se refere à nossa relação com a natureza e, por conse­quência, com os recursos naturais? Notam que a idéia de sustentabilidade está, de al­gum modo, incorporada em nossa lei maior? Notam que este trecho da Constituição se harmoniza, de modo geral, com o texto da Agenda 21 brasileira? Na Agenda 21 bra­sileira, os recursos são tratados como bens públicos? Há investimentos no conhecimento desses recursos?
A seguir, alguns exemplos de recursos naturais. Há muitos outros, que podem ser regionalizados e aplicados às realidades locais. O que importa é encarar essa realidade e ter a oportunidade de perceber o quanto há por fazer na área de gestão pública dos recursos naturais do Brasil:
- O recurso solo: no Brasil, o uso predominante do solo é na agropecuária. No entanto, mais de 1/3 (35,3%) do território é inadequado para as atividades agrícolas e para a pecuária. Ape­nas 4,2% são solos profundos, bem drenados, predominantemente de textura média ou argi­losa, com fertilidade natural. São 35 milhões de hectares nessas condições. No Brasil, os solos não são bem tratados, perdas importan­tes são notadas, e áreas com solo em estado crítico são muito comuns. O conhecimento sobre a dinâmica dos solos e sobre as formas de conservação é crescente, mas a legislação e a fiscalização de proteção são frágeis;
- Os recursos hídricos: já estudado anteriormente, há muito o que saber e informar sobre águas subterrâneas (por exemplo, mais de 60% dos municípios brasileiros são abastecidos por águas sub­terrâneas) e sobre as políticas de proteção a esse recurso;
- Os recursos oceânicos e das zonas cos­teiras: representam, enquanto paisagem, recursos turísticos, mas são também fon­tes de alimentação e áreas de mineração, como a extração de petróleo nas plata­formas continentais. O Brasil possui uma costa imensa (7 367 km) com várias me­trópoles litorâneas e grandes preocupa­ções com a poluição dessas áreas. Nelas, nota-se intensa ameaça à fauna marí­tima, além de outros prejuízos graves a esse manancial (fonte) de recursos;
- Os recursos biológicos (da diversidade biológica): as espécies vegetais desconhe­cidas podem beneficiar a humanidade de diversas formas, com aplicações na indús­tria farmacêutica, na culinária etc. Além disso, vale aqui o princípio ético de res­peito à vida das outras espécies. Políticas de preservação e de gestão de recursos já existem (as Unidades de Conservação), mas, no Brasil, a implementação encon­tra grande resistência, pois não se enxerga aproveitamento econômico nas florestas, nem se vê sentido em preservar as forma­ções por motivos éticos.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Textos para 1a. série / Ensino Médio - 4o. bimestre

13. A vinculação entre clima e vegetação no meio ambiente
Profa. Celina – Geografia – 1ª. Série - EM

Uma das principais manifestações da vida na superfície terrestre é a imensa mas­sa de vegetação que se distribui pelo pla­neta. Sua existência pretérita (passada), sua presença atual e a condição de permanência no fu­turo sempre estiveram e estarão ligadas às condições dos domínios naturais, designa­ção conceitual que se refere à combinação das três esferas inorgânicas (abióticas): li­tosfera, hidrosfera e atmosfera. Cada um desses elementos interfere na distribuição da cobertura vegetal, com destaque para o clima.
Vamos trabalhar as relações entre os domínios na­turais, que são inorgânicos, e as manifestações da vida. Será dado destaque à relação entre clima e distribuição das formações vegetais, relação que não se esgota no presente, na me­dida em que os climas do passado deixaram marcas na geografia das coberturas vegetais.
Anteriormente, trabalhamos a dimensão inorgânica da natureza, especialmente a litosfera, uma das esferas da superfície terrestre. Como as formas de vida se inserem na dimen­são inorgânica (no meio abiótico) da superfície terrestre?
É na litosfera que se formam os solos, que são rochas decompostas e é neles que surge a vida vegetal, onde as plantas mergulham suas raízes para se alimentar. Nas regiões mais elevadas da litosfera, nem todo tipo de vida é possível, e, na verdade, a vida chega a rarear (diminuir). Já nas partes mais baixas das áreas continen­tais, a vida vegetal se multiplica.
            As águas (hidrosfera) são fundamentais para a vida ve­getal. As maiores florestas do mundo são as florestas úmidas. Quando as águas escas­seiam, a vida se ressente.
As formações vegetais são diretamente influenciadas pelas condições climáticas (atmosfera), visto que a água e as temperaturas são elementos-chave na existência da vida.
A vida não é um fenômeno isolado, ela é possível apenas na relação com os elementos não vivos  (abióticos) dos ambientes. A formação dos solos resulta do processo de de­composição das rochas, que tem no clima uma energia fundamental: chuvas, infiltração de águas, contraste entre calor e frio, por exemplo, são forças naturais que desagregam as rochas. O mesmo ocorre com a água: a diversidade do cli­ma é em boa medida responsável pela distribui­ção desigual de águas na superfície terrestre. Um segmento da superfície terrestre que se caracteriza por relevo plano e baixo, com hidrografia rica e com muita umidade e calor, será bastante con­fortável para a manifestação da vida vegetal.

Dos domínios naturais para a biosfera: as conexões e as escalas geográficas
Como os elementos naturais se relacionam? Como viabilizam a vida vegetal e como se combinam e interferem na distribuição das formações vegetais nas terras emersas do planeta? Tratam-se de fenômenos complexos, considerados produtos de várias relações ou vários fatores, estabele­cidas entre muitas realidades, que interagem entre si. É diferente de um fenômeno simples, produto de um único fator.
Por exemplo, as relações de interdependência são necessárias à manu­tenção da vida vegetal, logo é um fenômeno complexo. Para sintetizar, observe o esquema da composição da biosfera:


Litosfera (estrutura geológica, relevo) + hidrosfera (rios, lagos, águas subterrâneas) + atmosfera (fenômenos climáticos) = domínios naturais
Domínios naturais + solos + vida (formações vegetais e fauna) = biosfera


Há vida em todos os recantos do planeta?
Os domínios naturais correspondem às mais diversas combinações da atmosfera (cli­ma), da litosfera (relevo) e da hidrosfera (oceanos, rios e lagos). Vejamos algumas:
- Existem combinações que são ideais para a vida: Clima quente e chuvoso + relevo de baixas altitudes + grande disponibilidade de água doce = condições excelentes para a proliferação da vegetação;
- Existem combinações que dificultam a vida (parte I): Clima muito frio + relevo irregu­lar e montanhoso = situação de deserto frio, sem presença generalizada de solos e com escassa vegetação;
- Existem combinações que dificultam a vida (parte II): Clima muito quente e árido (muito seco) + relevo plano + hidrografia pobre = situação de deserto quente, solos pobres e arenosos, com escassa presença de vegetação.

A lógica que relaciona o clima e as formações vegetais
Observe a “Variação vegetacional segundo altitudes (segundo andares)”, na página 6 do caderno do aluno. As formações vegetais estão relacionadas ao relevo, ou seja, a altitude:
- Lado esquerdo do triângulo: região de clima temperado (estações bem marcadas, com algumas variações);
- Lado direito do triângulo: região de clima tropical (calor e umidade, com algumas va­riações internas);
- Quer nos climas temperados, quer nos tropicais, a vegetação vai diminuindo de porte à medida que as altitudes aumen­tam e a umidade diminui, escasseando proporcionalmente com o aumento das altitudes;
- Nos   climas   temperados  (mais frios), a 3 000 metros de altitude, a vegetação   praticamente desaparece, enquanto  nos  climas  tropicais  ainda aparecem estepes. Aqui fica exposto um fator que interfere nessa distribuição: o clima, mais especificamente as tem­peraturas e, em parte, também a umidade. Conforme as altitudes se elevam, a temperatura diminui (cerca de 0,6° C a cada 100 metros). Assim, se no nível do mar a temperatura numa área tro­pical está a 30° C, a 3 000 metros essa temperatura será de ± 12° C (3 000 di­vidido por 100 = 30 multiplicado por 0,6 = 18° C → 30° C - 18° C = 12° C). Como no clima temperado a temperatu­ra já é menor, a 3 000 metros quase não aparece mais vegetação;
- À medida que as altitudes diminuem e a umidade aumenta, a vegetação adquire por­te, chegando até as formações florestais.
As for­mações vegetais vão ficando diferentes com o aumento das altitudes: essa diferenciação está associada à mudança vertical dos ambientes: quanto mais alto, mais frio e menos umidade.
O que ocorre se a mudança for horizontal, ou seja, com o espalhamento na superfície das terras emersas? A lógica é a mesma: o que varia verticalmente (em altitude) ou horizontalmente (em extensão e latitude) são os mesmos elementos climáticos. Veja o quadro a seguir:


           As massas vegetacionais (ou formações vegetais) são classificadas em estratos (elemento-chave para compreender a classificação das formações vegetais) denominados arbóreo, arbustivo e herbáceo.  
Veja as características no quadro “Tipos de formação vegetal” na página 7 do caderno do aluno. Ao nos referir­mos a um estrato arbóreo, estamos falando dos tipos de planta, porte (altura), estru­tura (se formação fechada ou aberta), distribuição. A menção ao domínio de um estrato já dá informações sobre a formação vegetal que se quer descrever. As quatro formações vegetais são as principais mani­festações da vida nos meios bióticos e, por isso, são chamadas de biomas.
Na caatinga nordestina, os es­tratos que a compõem são arbustivo, arbóreo e herbáceo, sem que nenhum seja dominante. O tipo de vegetação é uma savana seca, igual no cerrado. A caatinga e o cerrado são tipos de savana. O quadro abaixo detalha mais essa classificação:



Glossário:
Atmosfera: conjunto de gases combinados que envolvem a superfície terrestre a que chamamos de ar.
Biosfera: conjunto da vida vegetal e animal no interior dos domínios naturais.
Clima: sucessão de tipos de tempo gerada pela circulação de massas de ar quente e frio, mais ou menos carregadas de umidade, e pelas chuvas. Tudo isso é sentido na superfície terrestre e interfere no funcionamento da litosfera, da hidrosfera e da vida.
Complexidade: característica dos fenômenos cuja existência e forma de funcionamento dependem de múltiplas relações.
Domínios naturais: 1. A interação da atmosfera com a litosfera e a hidros­fera forma um domínio natural; 2. Mundo inorgânico; 3. As combinações no mundo inorgânico são variadas, o que gera diversidade de domínios naturais.
Hidrosfera: 1. Conjunto das águas na superfície terrestre; 2. Com­posta de oceanos e mares, águas subterrâneas, rios e lagos.
Inorgânico: matéria sem vida (abiótica) presente na superfície terrestre.
Litosfera: 1. Conjunto dos elementos sólidos que formam a crosta terrestre; 2. Estruturas rochosas que são um dos componentes dos domínios naturais.
Orgânico: 1. Mundo da vida; mundo biótico; 2. Os seres vivos vegetais e animais; 3. Combinação dos domínios naturais mais a vida.
Simplicidade: Condição dos fenômenos que resultam apenas de um fator.
Solo: 1. Camada que se forma sobre as rochas, não muito duras, e que é pro­duto da desagregação das rochas e da decomposição de matéria orgânica; 2. Dimensão do meio ambiente onde prolifera a vida vegetal.
Vegetação: 1. Forma de vida que se desenvolve nos solos, consumindo nutrientes e água e usando a energia solar; 2. Forma de vida que se desenvolve nas terras emersas, fixada ao solo.

14. A distribuição das formações vegetais: a questão da biodiversidade

Há pelo menos 30 anos têm se intensifica­do as preocupações com a continuidade da vida no planeta. Nessa discussão, destaca-se um novo valor, reconhecido por demonstra­ções científicas e argumentações filosóficas: a biodiversidade. A manutenção da diversi­dade biológica transformou-se na principal bandeira dos que entendem a urgência da crise ambiental imposta ao planeta pelo ser humano.
Qual a lógica geográfica da existência e da distri­buição da diversidade biológica na Terra? Quais são as ameaças decorrentes da contí­nua remoção das formações vegetais do planeta?
Algumas idéias relaciona­das ao fenômeno da biodiversidade:
- Há relações fundamentais entre os domínios naturais (litosfera, hidrosfera e atmosfera) e as condições de cada meio ambiente;
- Entre os elementos dos domínios naturais, o fator climático é o que mais influencia a proliferação da vida.
Há uma lógica na distribuição das espécies e em sua multiplicação:
- em ambientes de clima mais frio e de me­nor umidade, a vida sofre restrições, por isso poucas espécies se adaptam;
- em ambientes de clima mais quente e maior umidade, a vida se desenvolve mais facil­mente, por isso mais espécies se adaptam e há maior diversidade biológica;
- os ambientes de maior diversidade bioló­gica encontram-se nos trópicos úmidos.

A biodiversidade e os climas do passado
As condições ideais para a vida encontram-se nas florestas tropicais, que são formações vegetais
com a maior diversidade biológica do mundo. Diversidade que abrange não somente plan­tas, mas também animais, em especial insetos, pássaros e mamíferos.
Vamos ler o texto “O grau de biodiversidade no Brasil”, na página 11 do caderno do aluno.
Como se dá a distribuição das formações vegetais no mundo? Qual o impacto do aquecimento global na biodiversidade? Quais são as consequências para a distribuição das formações vegetais e para a diversidade biológica terrestre?
Hoje em dia, muito se fala sobre as mudan­ças climáticas e o aumento da temperatura do planeta, que constituem o fenômeno do aque­cimento global. Sabemos da importância do clima na distribuição da ve­getação, mas como saber quais serão essas con­sequências e com que intensidade ocorrerão?
 Os climas da Terra já foram muito diferentes dos atuais. Se foram diferentes, a distribuição da vegetação também já foi outra. Por exemplo: “na maior parte do continente africano, entre 12 mil e 7 mil anos atrás, o clima não era tão quente e era bem mais úmido. Ao sul do Deserto do Saara predominava o clima temperado mediterrâneo. Aliás, o deserto tinha uma extensão bem menor. Desenhos rupestres (de comunidades humanas antigas) encontrados em regiões tomadas pelo deser­to atualmente mostram que nelas existiam savanas e que o deserto, tanto em sua porção norte e sul, encontrava-se a 100-250 quilôme­tros para o interior.”
AYOADE, J. O. Introdução à climatologia para os trópicos. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1991. p. 220.
            A lógica que regula a distribuição vegetal é: a expansão do frio e diminuição da umidade resulta em expansão dos biomas mais adaptadosm e dimi­nuição da tropicalidade.
            Os períodos glaciais (geleira, gelo) e interglaciais afetaram especialmente as latitudes médias e altas; concomitantemente, nas baixas latitudes tropicais, ocorreram períodos pluviais e interpluviais. Leia o texto “Consequências  da glaciação Würm-Wisconsin para a vegetação”, na página 13 do caderno do aluno.
Houve uma sucessão de períodos frios e quentes. Com a glaciação de Würm-Wisconsin, o clima esfriou; no final desse período, o clima da Ter­ra mudou, ficou mais quente: houve um aque­cimento global. Aquecimento resultante das forças da natureza, assim como o esfriamento anterior também tinha sido. Não foi nem a pri­meira vez, nem a última. O clima da Terra sem­pre variou ao longo do tempo da natureza.
De­pois de Würm-Wisconsin, quando o clima ficou mais quente, a biodiversidade anterior não se recom­pôs. Quando o planeta voltou a esquentar, muitas plantas não haviam sobre­vivido ao frio intenso, nem sequer suas sementes. Além disso, o ambiente já havia sido ocupado pelas plantas que conseguiram re­sistir às mudanças climáticas. O avanço do frio ou da seca pode cau­sar perda da diversidade biológica.
Relativos à lógica da dinâmica da biodiversidade no interior das formações vegetais, podemos concluir que:
- Fatores climáticos como o frio e o calor, as chuvas e as secas interferem decisiva­mente na biodiversidade;
- As mudanças climáticas que já ocorreram na Terra (do mais frio para o mais quente, ou do mais quente para o mais frio) in­terferiram na biodiversidade do presente e deixaram marcas. Por exemplo: a biodi­versidade perdida com a última glaciação não foi recomposta;
- A mudança climática que está ocorrendo agora (o aquecimento global) vai interfe­rir na distribuição da vegetação e na or­dem da biodiversidade também. É preciso saber como isso pode ocorrer.

A biodiversidade e as ameaças do presente
Quais as consequências da perda de bio­diversidade?
A continuidade das diversas formas de vida no planeta depende muito da biodiversidade. A extinção de determinadas formas de vida pode, inclusive, levar outras espécies (delas de­pendentes) ao desaparecimento. Atualmente, os especialistas sabem que basta uma pequena perda na biodiversidade de uma floresta para existir risco de grave desequilíbrio para essa formação vegetal.
E quais são os efeitos para as sociedades humanas? A biodiversidade constitui um pa­trimônio valioso, tanto mais valioso quanto se avança no conhecimento científico e tecno­lógico. Por exemplo: na diversidade biológi­ca podem-se encontrar soluções para muitos dos problemas relacionados à alimentação da humanidade, à cura de doenças e à melho­ria da qualidade de vida. Por isso, de riqueza desconhecida e ainda desprezada por muitos, a biodiversidade pode tornar-se objeto de uma disputa cada vez mais acirrada. No Brasil e em todo o mundo, observa-se nos últimos anos uma tomada de consciência (embora lenta) sobre como é importante cuidar da manu­tenção da biodiversidade.
Observe o mapa “Desflorestamento e desertificação, 2006”, nas páginas 16 e 17 do caderno do aluno.
Vale a pena apresentar três comentários sobre a linguagem e o conteú­do deste mapa:
- Trata-se de um mapa qualitativo e orde­nado. Em primeiro lugar, é qualitativo porque distingue dois fenômenos: desflorestamento e desertificação. Em segundo lugar, porque ordena os dois fenômenos: da desertificacão mais intensa (laranja) à moderada (amarelo); do desflorestamento mais intenso (verde-escuro) para o mode­rado (verde-claro). E isso é muito bem rea­lizado e expressivo no mapa;
- O uso das cores como recurso de lingua­gem não é de aplicação fácil. Uma in­formação num mapa não pode suscitar dúvidas nem mais de uma interpretação. Esse é o problema das cores. Temos o cos­tume de atribuir sentidos e significados às cores. Por exemplo: quais são os signi­ficados do vermelho? É comum associar essa cor ao perigo, à atenção, à proibição, às altas temperaturas, ao fogo, aos objetos quentes etc. E o azul, o que representaria? Frio, gelado, água, baixas temperaturas etc. Por isso, as cores num mapa podem envol­ver interpretações culturais diferentes da informação técnica.
- O mapa cartografa desflorestamento e de­sertificacão. Não há dúvida de que o desflo­restamento existe e que ele é provocado pelo ser humano. O mesmo não pode ser dito da desertificacão. Trata-se de um fenômeno mais difícil de acompanhar e que ocorre acima de tudo por motivos naturais; a influência da ação humana (que existe) não pode ser ava­liada tão facilmente. A desertificacão se ex­pressa pela redução progressiva da biomassa e da água em circulação no ambiente natural. Por exemplo: é duvidoso definir o que aconte­ce no Nordeste do Brasil como desertificacão. De todo modo, é assim que funciona o co­nhecimento: as interpretações são construí­das para nos fazer pensar, refletir, criticar.
- Há desflorestamento tanto em áreas tro­picais como em áreas temperadas. Nesse caso, há dois tipos diferentes de floresta. As florestas temperadas (com menor biodiversidade) encontram-se fundamentalmente no Hemisfério Norte, seu grau de remoção é elevado e ocorre há muito tempo. Por sua vez, as florestas tropicais, que estão sendo mais prejudicadas pelo desflorestamento, situam-se, sobretudo, no Hemisfério Sul. E o Brasil, sem dúvida, possui o maior patri­mônio de biodiversidade;
- Boa parte das regiões de desflorestamen­to mais acelerado, como apresentado no mapa, encontra-se em áreas de grande povoamento: leste dos EUA, Europa Oci­dental, leste da China, norte da índia, In­donésia, Filipinas, América Central e, em menor proporção, no Golfo da Guiné (par­te ocidental). O caso do Brasil é um pouco diferente: embora tenha áreas de intenso desflorestamento, ele ocorre em áreas não tão povoadas. A Amazônia não consta no item de desflorestamento acelerado, pois, proporcionalmente à sua área, o desmatamento parece não ser significativo, o que não é verdade em termos absolutos;
- A desertificação representada no mapa pode ser natural ou acelerada pelo homem. Em tor­no do Deserto do Saara (África) nota-se uma vasta faixa em situação crítica que pode signi­ficar uma ampliação desse vasto deserto;
- No Brasil, a área em que há desertificação elevada (segundo o índice estabelecido no mapa) está rodeada por áreas apontadas como locais de desflorestamento relevante. Evidentemente, essa situação ajuda a ace­lerar a desertificação;
- Considerando o que foi representado no mapa, são poucas as áreas da superfície terrestre em que não se observa nem des­florestamento nem desertificação. Desta­cam-se praticamente apenas o Canadá e a Rússia. Porém, isso decorre do fato de esses países ocuparem vastas áreas muito frias e pouco povoadas. Podem ser considerados, portanto, desertos humanos e gelados.
As florestas tropicais restantes, embora mais extensas e vigorosas que as temperadas, estão em geral muito frag­mentadas. O principal continuum florestal tropical está localizado na América do Sul, principalmente na Amazônia brasileira. É ali que está concentrada a possibilidade de conservação da biodiversidade in situ, ou seja, a conservação dos organismos vivos em seu ambiente original. Em outros locais restaram apenas fragmentos, o que exige intervenção humana para que possa haver revitalização.


15. As variações de escala geográfica dos impactos ambientais

A expressão "impacto ambiental" é em ge­ral usada para se referir ao conjunto de ações humanas que agridem o meio ambiente. Sob um olhar mais técnico, o impacto ambiental refere-se às conseqüências, no meio ambiente, do uso que o ser humano necessariamente faz da natureza, especialmente a retirada dos re­cursos não renováveis.
Se o alcance (ou seja, a escala) das ações humanas se ampliaram (e se tornaram mais complexas), isso implicaria uma transformação correspondente nos impactos ambientais? Esta­ria o ser humano alterando os meios ambientes na escala mundial?
Se as ações humanas alteram o quadro am­biental do planeta, os seres humanos também precisam encontrar, a um só tempo, formas de organização institucional e política nessa escala. Interesses nacionais e locais não podem prevale­cer numa questão que afeta a todos.
Pensar na escala geográfica dos fenôme­nos que percorrem a superfície terrestre e os espaços humanos é uma reflexão indispensá­vel para compreender a geografia do mundo contemporâneo.
Infelizmente, essa preocupação nem sem­pre está presente no ensino da Geografia esco­lar, ou, quando ela é abordada, os fenômenos geográficos são tratados de modo estático, como se seus efeitos se limitassem ao ponto do espaço que está sendo observado e descrito. No entanto, espaço é distância, são relações entre pontos, são movimentos, e não a fixação em um único ponto.
Este capítulo tra­ta dos impactos ambientais e também da relação que as sociedades hu­manas estabelecem com a natureza. Pensando nas conseqüências para a natu­reza e para o ser humano, até onde podem chegar os impactos de um furacão, terremoto ou erupção de um vulcão?
Observe o quadro “Escala geográfica de eventos naturais”, na página 21 do caderno do aluno.Como se pode notar, os eventos menciona­dos não têm impactos diretos que ultrapassam a escala regional. No Brasil, à exceção de terremotos fracos, não há ocorrência de tais eventos; para nós, eles po­dem ser vistos como algo externo, que aconte­ce em outros lugares. Não tememos, portanto, que um dia haja uma erupção vulcânica ou um furacão de grande escala que nos atinja.
Os seres humanos (um grupo, uma sociedade, uma corporação transnacional, os agregados) são capazes de realizar ações que atinjam todas as partes do planeta? Ou a ação de uma sociedade pode ir além da escala regional?

O impacto das ações de escalas local e regional na escala global
Nesta etapa, são propos­tas algumas comparações. O que chamamos de globo, de planeta, é uma criação natural. Mas, em termos de funcionamento e produção de es­paço geográfico, não parece claro que as rela­ções humanas alcançam uma escala geográfica mais ampla do que os fenômenos naturais? Elas alcançam uma escala global?
Vamos explorar dois exemplos para mostrar como mu­dou a escala geográfica das ações humanas, na página 22 e 23 do caderno do aluno. O quadro “Comparando a escala geográfica das ações humanas” organiza as idéias sobre as ações huma­nas, destacando a escala e as transformações no espaço. As ações da sociedade e das instituições e empresas que ela cria ultrapas­sam os limites de seu território e chegam até o Brasil. Embora a erupção de um vulcão no Equador não nos afete aqui no Brasil, não podemos dizer o mesmo quanto à política comercial de uma grande empresa norte-americana de roupa esportiva ou alimentação fast-food. As forças mobilizadas nos EUA muitas vezes conseguem atingir a escala glo­bal. Será que elas chegam também à China e ao Japão?
Discutir escalas dos fenômenos geográficos é essencial para construir um raciocínio espacial.
O resultado da relação entre ser humano e na­tureza pode ser expresso da seguinte forma: o uso humano da natureza (ação humana) na natureza significa integração complexa das escalas humanas e naturais.
Exis­te um elemento fundamental para estudar a integração das escalas de fenômenos geográfi­cos diferentes: o clima. O clima pode ser visto como um amplificador das escalas geográficas de eventos naturais e humanos ocorridos na superfície terrestre. Três casos podem mostrar como o clima amplifica as escalas geográficas dos fenômenos geográ­ficos: a erupção do Krakatoa, a erupção do Pinatubo e o acidente na usina nuclear de Chernobyl, todos descritos na página 23 do caderno do aluno.
            Observe o mapa ”Mundo: consumo de energia, 2004”, nas páginas 26 e 27 do caderno do aluno.
            Trata-se de um mapa ordenado e quanti­tativo. A ordem expressa os países que mais consomem energia por habitante, e isso é co­municado por tonalidades de cor laranja, do tom mais escuro para o mais claro.
As quantidades são expressas por círcu­los proporcionais que representam o consumo absoluto de energia. É importante trabalhar a questão da energia com essas duas representa­ções (consumo absoluto e por habitante), porque revela, por exemplo, que alguns países da Euro­pa, bem menores que o Brasil, consomem mais energia por habitante, mas em termos absolutos gastam menos (caso dos países nórdicos).
Esse mapa mostra a distribuição geográfica do consumo de energia no mundo. Sabemos que hoje a principal fonte de energia é originária de material fóssil, especialmente o petróleo e o carvão mineral. A queima dessas fontes de energia tem como efeito colateral a emissão de CO2 (gás carbónico) para a atmosfera.
Será que essa emissão constante de CO2 re­percute apenas nos locais de emissão? Ou aqui se pode aplicar o mesmo raciocínio anterior: algo emitido num local pode ter efeitos amplia­dos pela dinâmica atmosférica?
- As erupções vulcânicas emitiram material em grande quantidade em um breve tempo (o maior volume no momento da explosão e resíduos durante alguns dias);
- O acidente nuclear vazou material radioativo enquanto os técnicos não conseguiram vedar as instalações da usina (foram dias);
- A emissão de CO2 causada pelo ser hu­mano não pára, é constante. No entanto, varia o volume da emissão: no passado era menor e agora é bem maior. Consi­derando a desigualdade dessa emissão entre os povos do mundo, e como isso está associado ao consumo de energia, a princípio, no futuro, a emissão de CO2 tende a crescer. Isso porque certamente ocorre a seguinte relação: consumo de energia significa desenvolvimento.
A emissão constante de gases poluentes para a atmosfera e o crescimento mais ou me­nos inevitável das emissões, em razão da di­nâmica social e econômica da sociedade, são apontadas atualmente como causas de uma importante mudança climática no planeta: o aquecimento global, a elevação das tempera­turas médias na Terra.
Vale registrar uma expressão sintética dessa possível ocorrência: a ação humana para prover a vida material consome energia em escala local e regional, resultando na emissão de CO2 (escala local e regional) e aquecimento da atmosfera (escala global).
O mundo é complexo, e nem todas as re­lações e variáveis envolvidas nesse fenômeno do aquecimento global estão sob controle do conhecimento humano, mas há cientistas que apontam a emissão de CO2 como uma das causas do aquecimento global. Sabemos que há o risco de o impacto de algumas ações hu­manas no meio ambiente e nos domínios na­turais alcançar a escala global. Acompanhar os efeitos e impactos da atuação humana é fundamental para saber se esse alcance global vai se confirmar.
Há cientistas renomados defendendo que a ação humana - com a emissão do CO2 e o desmatamento - acelera o processo de aquecimento global. Vamos ler o texto “A instabilidade da dinâmica climática”, nas páginas 28 e 29 do caderno do aluno.

16. A defesa de pontos sensíveis do meio ambiente: os tratados sobre o clima e a biodiversidade

Se há polêmica sobre as causas do aque­cimento da atmosfera, o mesmo não ocorre quanto à perda da biodiversidade. A remoção das formações vegetais já avançou muito ao longo da história humana, atingindo escala planetária. Praticamente, não há formação vegetal que não tenha sofrido intervenção hu­mana, e é incalculável o número de diferentes espécies animais e vegetais que desapareceram da Terra em decorrência da ação humana. A biodiversidade foi drasticamente reduzida pelo ser humano.
Vamos discutir:
- os esforços para rever e conter a ação humana predatória, como os tratados internacionais em que os signatários (membros que assinaram) se com­prometem a reduzir as emissões de CO2 e conter a destruição da biodiversidade e;
- a conscientização sobre as ações humanas, em especial as que envolvem desperdícios de recursos naturais e agravos contínuos ao meio ambiente.
Vocês já leram ou viram na mídia algo sobre o desmatamento na Amazônia ou na Mata Atlântica? Acreditam que as informações sobre o que ocorre na Amazônia e na Mata Atlântica são também divulgadas em outros países? Por que essas notícias ultrapassam as fronteiras nacionais? Quando os países estrangeiros, os organis­mos internacionais e a imprensa mundial se posicionam a respeito das questões que en­volvem a Amazônia e a Mata Atlântica, eles abordam o tema considerando que se trata de assunto interno do Brasil?
As questões ambientais não são tratadas nem respeitadas como assuntos exclusivamente in­ternos. Podemos confirmar essa recepção, citando, por exemplo, os protestos internacionais sobre o desmatamento na Amazônia, que o governo brasileiro não estaria conseguindo controlar. Isso ocorre porque, embora se trate de realidades brasileiras, as reclamações dos demais países têm origem em outra escala: a escala global.
Vocês acham certo essa atitude dos outros países? Percebem alguma lógica nisso? Notam motivos que justi­fiquem essa atitude? Como o governo brasileiro reage a esses protestos? Costuma responder que o problema é nosso e que ninguém de fora deve se envolver? Ou procura se explicar perante a opinião pública internacional? A reação governamental de se explicar perante a opinião pública internacional é uma evidência de que o assunto não pode mais ficar restrito à escala nacional?
Essa mesma situação ocorre também com outros países.
A questão ambiental vem se transformando em proble­ma de escala mundial, pois os impactos pro­vocados pelas sociedades humanas sobre a biosfera (litosfera + hidrosfera + atmosfera + formas de vida) estão atingindo essa escala e afetando a todos. Por exemplo: se há aque­cimento global provocado pelo ser humano e alguns países emitem mais CO2 que outros, as conseqüências das grandes emissões de gases poluentes atingem todos os países, inclusive aqueles que emitem menos CO2 É por essa razão que se protesta mundialmen­te contra os Estados Unidos, que é um dos maiores emissores de CO2.
Para tentar solu­cionar os grandes problemas ambientais, têm ocorrido iniciativas conjuntas que, em geral, envolvem muitos países. Nos últi­mos 30 anos, essas iniciativas, promovidas, por exemplo, pela Organização das Nações Unidas (ONU), resultaram em um conjunto de tratados internacionais, ou seja, compro­missos que os países estabelecem para pôr em prática uma nova relação com o meio ambiente. Dessa forma, as questões am­bientais viraram problemas de todos. Por isso, o desmatamento da Amazônia, que não consegue ser controlado pelo governo brasileiro, fere não só o meio ambiente, mas também os tratados assinados e assu­midos pelo Brasil, inclusive como lei que deveria ser cumprida internamente.

A defesa da diversidade da vida: a Convenção sobre Biodiversidade
O desmatamento injustificável da Ama­zônia, da Mata Atlântica ou de qualquer bioma no Brasil rompe com o parâmetro do desenvolvimento sustentável. Além disso, contraria o tratado internacional assinado pelo Brasil em 1992 - e que, posteriormente, foi transformado em lei brasileira: a Con­venção da diversidade biológica.
O fragmento de texto “Convenção sobre biodiversidade”, nas páginas 30 e 31 do caderno do aluno, introduz a questão dos tratados internacio­nais que visam proteger e recuperar situações graves de desequilíbrio na biosfera. A dimensão institucional é expressa, no texto, por instituições, países e eventos organiza­dos para enfrentar formalmente os proble­mas ambientais, como a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CNUMAD), também conhecida como Rio-92 ou Eco-92, a Conferência da Cúpula da Terra, a própria Convenção sobre Diversidade Biológica e o Congresso Nacional Brasileiro. Na dimensão informativa e científica, a Con­venção sobre Diversidade Biológica apre­senta, no Artigo 2, o significado de termos técnico-científicos relativos à temática, alguns deles já citados no Artigo 1.
As principais conferências promovidas pela ONU sobre o clima e o meio ambiente foram a Conferên­cia de Estocolmo (1972), a Rio-92 e a Confe­rência de Johanesburgo (2002). Foi na Conferência de Esto­colmo, na Suécia, que se decidiu pela criação do Programa das Nações Unidas para o Meio Am­biente (PNUMA); na Rio-92, a idéia era discu­tir se seria possível conciliar desenvolvimento e questão ambiental, e daí construir uma visão de desenvolvimento sustentável; em Johanesburgo, o objetivo foi realizar um balanço dos dez anos de implementação das decisões da Rio-92.

Os tratados que visam intervir nas mudanças climáticas
Para refletir sobre os tratados e as políticas em defesa da biodiversidade, vamos ler trechos da Convenção sobre a Mu­dança do Clima, aprovada e assinada na Rio-92, a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CNUMAD), nas páginas 32 e 33 do caderno do aluno.
Sobre a questão da possível ocorrência de mudanças climáticas, houve um desdo­bramento importante em relação ao que foi aprovado na Rio-92, em termos de tratado internacional. Para explorar essa informa­ção, vamos ler o texto “Protocolo de Quioto”, na página 33 do caderno do aluno. Na dimensão institucional, o Protocolo de Quioto (1997) decorre de eventos anteriores, como a Conferência de Toronto sobre as Mudanças na Atmosfera, no Canadá em outubro de 1988, seguida depois pelo Primeiro Relatório de Avaliação do IPCC (AR-1), em Sundsvall, Suécia, em agosto de 1990 e pela Convenção-Quadro das Nações Uni­das sobre a Mudança do Clima, na Rio-92. Na dimensão informativa e científica, a formação de um glossário constrói critérios e estabelece precisões e conexões:
- Emissão: liberação, na atmosfera, de gases de efeito estufa e/ou seus precursores, em área e período determinados;
- Gases de efeito estufa: constituintes gasosos da atmosfera, naturais ou hu­manos, que absorvem parte da radiação, reemitindo-a, provocando o efeito estufa. O principal representante é o CO2;
- Matriz energética: conjunto de fontes de energia empregado na economia de um país. Pode-se tam­bém pensar em termos globais, nesse caso a principal fonte da matriz energética mundial é a fóssil (petróleo, gás e carvão);
- Mudança do clima: pode ser direta ou indiretamente atribuída à atividade humana e que altere significativamente a composição da atmosfera mundial, somando-se àquela provocada pela variabilidade climática natural, observada ao longo de períodos comparáveis.
           
Glossário:
Área protegida: significa uma área definida geograficamente que é destinada, ou regulamentada, e administrada para alcançar objetivos específicos de conservação;
Biotecnologia: significa qualquer aplicação tecnológica que utilize sistemas biológicos, organismos vivos ou seus derivados, para fabricar ou modificar produtos ou processos para utilização específica;
Conservação ex situ: significa a conservação de componentes da diversidade biológica fora de seus habitats naturais.
Conservação in situ: significa a conservação de ecossistemas e habitais naturais, a manutenção e recuperação de populações viáveis de espécies em seus meios naturais e, no caso de espécies domesticadas ou cultivadas, nos meios onde tenham desenvolvido suas propriedades caracte­rísticas;
Diversidade biológica: significa a variabilidade de organismos vivos de todas as origens e os com­plexos ecológicos de que fazem parte; compreendendo ainda a diversidade dentro de espécies, entre espécies e de ecossistemas.
Ecossistema: significa um complexo dinâmico de comunidades vegetais, animais e de micro-organismos e o seu meio inorgânico que interagem como uma unidade funcional;
Material genético: significa todo material de origem vegetal, animal, microbiana ou outra que conte­nha unidades funcionais de hereditariedade;
Recursos biológicos: compreende recursos genéticos, organismos ou partes destes, populações, ou qualquer outro componente biótico de ecossistemas, de real ou potencial utilidade ou valor para a humanidade;
Recursos genéticos: significa material genético de valor real ou potencial;
Utilização sustentável: significa a utilização de componentes da diversidade biológica de modo e em ritmo tais que não levem, no longo prazo, à diminuição da diversidade biológica, mantendo assim seu potencial para atender as necessidades e aspirações das gerações presentes e futuras.