quinta-feira, 14 de abril de 2011

Textos para 6a. série / 7o. ano - 2o. bimestre

5. Agrupamento regional das unidades federadas (irá utilizar o mapa mundi)
Profa. Celina – Geografia – 6ª. série

Nesse capítulo, vamos estudar a divisão regional do país, fundamentada na análise estatística e em estudos cartográficos. Para isso, serão consideradas tabelas baseadas nos dados da Pesquisa por Amostra de Domicílios do IBGE, de 2006.
O Índice do Desenvolvimento Humano (IDH) foi idealizado pelo economista paquistanês Mahbub ul Haq (1934-1998) e pelo economista indiano Amartya Kumar Senn (1933-), que desenvolveram esse novo índice a fim de comparar os países (ou também apurar o desenvolvimento de cidades, estados ou regiões) não apenas considerando a dimensão econômica, com base no Produto Interno Bruto (PIB) – como era muito comum até 1998. Eles partiram da idéia de que a análise do avanço de uma comunidade também deveria considerar outros aspectos sociais e culturais. Para isso, além de computarem o PIB per capita de cada país, correlacionaram a expectativa de vida e o nível educacional. O objetivo era medir o grau de desenvolvimento econômico e a qualidade de vida oferecida à população.
Essa metodologia difundiu-se por todo o mundo e é utilizada em estudos das disparidades regionais internas em mais de cem países. O IDH apresenta uma escala de 0 a 1, e quanto mais próximo de 1, melhor é a situação do país em relação ao seu desenvolvimento.
            No cálculo do IDH são computados os seguintes fatores: educação (taxa de alfabetização e escolarização), longevidade (expectativa de vida da população) e renda (PIB per capita – produção de riqueza por pessoa). Embora apresente deficiências no sistema educacional, o IDH do Brasil é considerado médio para alto, pois o país vem apresentando bons resultados econômicos. A expectativa de vida em nosso país também tem aumentado, colaborando para o índice. Mas, se analisarmos a situação do território brasileiro em diferentes escalas, há enormes contrastes.

Análise do mapeamento do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento)
Antes de analisarmos os mapas “Índice de Desenvolvimento Humano dos estados brasileiros, 2000”, na página 3, “Índice de Desenvolvimento Humano dos municípios brasileiros, 2000”, na página 5, “Índice de Desenvolvimento Humano dos municípios do Estado de Pernambuco, 2000”, na página 6 e “Índice de Desenvolvimento Humano do município do Recife, 2000”, na página 6, vamos entender o uso das cores nas representações cartográficas.
Na cartografia topográfica ou de base, o verde, por exemplo, é uma convenção geralmente utilizada para representar a vegetação e o azul, as superfícies aquáticas. Já na cartografia temática ou geográfica, como preferem alguns autores, é diferente. A variável visual cor é um elemento fundamental na comunicação cartográfica, uma vez que seu uso pode gerar diferentes tipos de percepção (ordem, seleção, associação).
Para facilitar a escolha das cores adequadas, os cartógrafos utilizam um círculo cromático, onde é possível identificar as cores vizinhas e opostas no espectro das radiações visíveis da luz. Para efeito da comunicação na cartografia temática, as cores representam diferentes intensidades e podem ser relacionadas com o círculo das cores, no qual algumas são consideradas quentes e outras, frias.



No entanto, apesar de existir uma seqüência lógica a partir da ordem do espectro magnético, muitas pesquisas verificaram que nem todas as pessoas conseguem estabelecer essa ordem na leitura dos mapas. Os estudos de Bertin demonstraram que a seqüência de cores por valor é mais eficiente do que a seqüência das cores espectrais para o leitor estabelecer uma ordem dos fatos representados nos mapas. Com base nesta espécie de “gramática das cores”, a Geografia pode fazer uso da linguagem da cartografia temática conforme o tipo de análise necessária. Assim:
- o tom ou matiz é eficiente para identificação de diferentes objetos ou feições (seletividade). Por exemplo, quando chamamos um objeto de amarelo, laranja ou verde, estamos identificando o seu tom;
- a luminosidade ou valor é a característica mais interessante da cor para o estabelecimento de uma seqüência dos dados (ordenação). Ela indica a quantidade de branco inserida em cada tom;
- a saturação é pouco eficiente sozinha, mas quando combinada com o valor da cor, auxilia na ordenação visual dos dados. Quanto maior a saturação, menor é a quantidade de cinza inserida numa cor.
            Agora, por que essa discussão é importante para o ensino de Geografia?
            Como já dissemos anteriormente, o conhecimento cartográfico mais difundido na escola brasileira é o do campo da cartografia topográfica ou de base. No entanto, os recursos de representação e comunicação da cartografia temática não podem ser esquecidos na análise do espaço geográfico. Ao desenvolvermos esses conteúdos, favorecemos a melhor compreensão dos conteúdos da disciplina e, ao mesmo tempo, possibilitamos um maior domínio da reflexão geográfica da realidade.
            Essa preocupação com a cartografia temática será enfatizada em outras séries. Na 6ª. série, esses são os primeiros passos na leitura de mapas temáticos no estudo de representações cartográficas elaboradas em escala monocromática, cuja principal variável é o valor das cores de mesmo tom, como é o caso dos mapas de IDH citados. Desta forma, trabalharemos uma das principais variáveis utilizadas na cartografia temática: o valor ou luminosidade. No caso dos mapas em análise, as cores utilizadas são de tom azul, variando a quantidade de branco inserida em cada uma delas (escala monocromática). Em vista do assunto dos mapas em análise, a intenção do cartógrafo foi a de comunicar uma seqüência do menor índice (tons mais claros) para os maiores índices (tons mais escuros).
            No primeiro mapa, a distribuição dos índices de desenvolvimento humano entre os estados brasileiros apresenta os melhores índices concentrados no sul do país, com exceção do Distrito Federal, e os piores índices no nordeste do país, com destaque para Maranhão, Piauí, Paraíba, Sergipe e Alagoas. Se agruparmos os estados brasileiros em regiões com IDH parecido, formamos três grandes grupos:
- os estados do sul: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, acrescidos de São Paulo e Rio de Janeiro;
- os estados do Brasil central: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, acrescidos de Minas Gerais e Espírito Santo e;
- os estados do norte: Amazonas, Roraima, Rondônia, Pará e Tocantins.
            Nesse agrupamento, ficariam isolados o Acre, o Amapá e o Distrito Federal. Os estados com menores índices estão localizados no Nordeste: Maranhão, Piauí, Paraíba, Sergipe e Alagoas.
            O segundo mapa apresenta a delimitação das unidades federadas do país (estados) como o primeiro, mas um maior detalhamento porque representa os índices por municípios (cidades). Um caso interessante de ser observado é o de Minas Gerais: comparem o contraste, a situação dos municípios do sul e do Triângulo Mineiro com os municípios do norte do Estado. Enquanto os municípios do sul estão mais próximos da realidade paulista, os municípios do norte estão mais próximos da realidade nordestina, inclusive porque a região apresenta a continuidade de partes do sertão, havendo certa compatibilidade entre as condições físicas e sociais nas áreas analisadas.
            Se analisarmos essa situação com a do estado de Pernambuco (terceiro mapa), verificamos que os municípios pernambucanos aparentam maior homogeneidade (cores mais parecidas), principalmente na região da capital do estado, Recife, onde a situação é uma das melhores do Estado. Mas quando detalhamos o município, no quarto mapa, e a escala permite representar o espaço intraurbano de Recife, observa-se que a desigualdade de condição de vida também é grande.

6. Regionalização no tempo e no espaço

Vamos comparar a primeira divisão regional oficial do Brasil, de 1941, com a atual divisão regional. Os recortes regionais se transformaram em função das mudanças socioeconômicas e ambientais do território brasileiro e dos recursos das ações do governo.
Quais foram os critérios utilizados pelos autores para a elaboração dos mapas apresentados na página 18 do caderno do aluno? As propostas de divisão regional do Brasil de autores de diferentes épocas.
Como parâmetro de comparação, o atual mapa de divisão regional do Brasil, na página 20 do caderno do aluno, é bem diferente dos anteriores em relação ao número de regiões e na delimitação das fronteiras entre os estados brasileiros.
O quadro abaixo é um comparativo entre as diversas divisões regionais que o Brasil já teve e a atual:

Divisão regional
Semelhanças com a atual
Diferenças em relação a atual
Élisée Reclus (1893)
Estabelece como limite das regiões as fronteiras dos estados
Apresenta um número maior de regiões
Critério de divisão com base na geografia física
Said Ali (1905)
Estabelece como limite das regiões as fronteiras dos estados
Mesmo número de regiões
Critério de divisão com ênfase na geografia física
Estabelece uma região oriental agrupando a Bahia e Sergipe com os atuais estados da região Sudeste
Delgado de Carvalho (1913)
Estabelece como limite das regiões as fronteiras dos estados
Mesmo número de regiões
Critério de divisão com base na geografia física insere São Paulo na região Sul e cria a região Leste com Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Bahia e Sergipe
Conselho Técnico de Economia e Finanças (1939)
Estabelece como limite das regiões as fronteiras dos estados
Mesmo número de regiões
Critério de divisão com base na geografia humana
Estabelece uma região sudeste e uma região Sul semelhantes aos limites atuais
Insere Maranhão e Piauí na região Norte
Conselho Nacional de Geografia (1941)
Estabelece como limite das regiões as fronteiras dos estados
Mesmo número de regiões
São Paulo faz parte da região Sul
Estabelece uma região Leste com Sergipe, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo


Em alguns mapas, dependendo dos critérios adotados para inserir São Paulo, ora ele está na região Sul, ora na região Leste. O mesmo acontece em relação ao Maranhão e ao Piauí, que, dependendo do critério, são inseridos na região Norte ou na região Nordeste. São considerados, em alguns casos, as características naturais e, em outros, os aspectos econômicos e sociais.

As regiões naturais do IBGE
Fábio de Macedo Soares Guimarães, geógrafo e professor carioca, foi responsável pelo estabelecimento da primeira divisão regional oficial do Brasil, em 1941, na página 19 do caderno do aluno. Atuando no Serviço de Estatísticas Territoriais do Ministério da Agricultura, transferiu-se para o Instituto Nacional de Estatística com o grupo pioneiro formado por especialistas convidados para unificar o serviço estatístico federal, centralizando-o em um único órgão, o Instituto Nacional de Estatística – INE –, criado em 1934 e instalado em 1936. Especializado em Planejamento Regional, foi um dos fundadores do Conselho Nacional de Geografia (1937), órgão pertencente ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Exercendo funções de chefia, coordenou as equipes que fizeram o levantamento de dados e a análise de propostas de unificação da organização regional do país. Para Fábio Guimarães e os geógrafos de sua época, a formação de regiões com base nas características naturais do território brasileiro seria o procedimento mais adequado, uma vez que a divisão teria um caráter mais duradouro se comparada com os elementos sociais e econômicos. Alguns aspectos ambientais semelhantes entre São Paulo e as unidades federadas do sul, como uma faixa do território com clima subtropical, predomínio do planalto ocidental e da bacia hidrográfica do rio Paraná levou a inserir SP na região Sul. A formação da região Leste com Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia e Sergipe foi com base no conceito de região natural, relacionado com as bacias de drenagem secundárias do litoral brasileiro e a bacia do São Francisco.
Hoje, a divisão está definida de acordo com o mapa da página 20:
- Maranhão é um estado nordestino, que possui parte de seu território na Amazônia Legal. Estas terras, apesar de localizadas na região Norte, já fizeram parte da região Centro-Oeste antes da formação do estado de Tocantins;
- Minas Gerais faz parte da região Sudeste, mas a situação socioeconômica dos municípios do norte do estado aproxima esta unidade federada da realidade nordestina;
- Das unidades federadas do Centro-Oeste brasileiro, o Distrito Federal apresenta os melhores indicadores sociais;
- Paraná, apesar de estar numa região diferente, é o que mais se assemelha a São Paulo, tanto por aspectos físicos quanto econômicos
- Mato Grosso do Sul é um estado localizado numa área de expansão da fronteira agropecuária, fortemente articulado com a economia do sudeste
- Espírito Santo já foi considerado da antiga região Leste, por apresentar características ambientais parecidas com o sudeste baiano
- Goiás perdeu 20% de suas terras no final da década de 1980, com a formação do estado de Tocantins, mas cresceu e se aproximou ainda mais economicamente da região Sudeste nos últimos anos
- Piauí é um dos estados brasileiros mais pobres, localizado numa zona de transição entre a caatinga e o cerrado.
“Velho Chico” é a denominação carinhosa da população ribeirinha ao rio São Francisco, também conhecido como o “rio da integração nacional”. Nasce em Minas Gerais, passa por Bahia, Pernambuco, Sergipe e desemboca no mar, em Alagoas. Minas Gerais pertence à região Sudeste e os demais, na região Nordeste (por isso é o rio da integração nacional, já que atravessa vários estados e duas regiões). O trecho navegável está localizado entre Pirapora (MG) e Juazeiro (BA). Este trecho encontra-se articulado com a malha ferroviária existente no país. Em Pirapora encontra-se um terminal da linha férrea que interliga Minas Gerais a Rio de Janeiro e uma linha férrea que interliga Juazeiro a Salvador. O vale do São Francisco pode ser considerado um importante eixo de integração regional, porque através do transporte intermodal, ainda que não utilizado em toda sua potencialidade, circulam mercadorias e pessoas que vivem no Sudeste e no Nordeste.

7. Outras formas de regionalização

O estudo do Brasil por complexos regionais (Amazônia, Nordeste, Centro-Sul) permite uma visão mais integrada do território brasileiro. De fato, muito mais do que uma divisão do país, as regiões brasileiras são resultantes de interações econômicas muito intensas entre diferentes lugares. Por exemplo, a população residente no estado de São Paulo é formada por pessoas que se deslocaram de várias partes do país e do mundo.

Região concentrada de Milton Santos
Uma nova proposta de regionalização do Brasil foi elaborada pela equipe de pesquisadores coordenada pelo professor Milton Santos. Para eles, o Brasil poderia ser dividido em quatro regiões: a Amazônia, o Centro-Oeste, o Nordeste e a que foi denominada de região Concentrada (abrangendo São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul).
A porção do território nacional que forma a região Concentrada, proposta por Milton Santos, apresenta a maior concentração de atividades modernas, como indústrias e agricultura mecanizada. Outras características da chamada região Concentrada seriam a maior densidade demográfica e a presença de mais institutos de pesquisa, que geram novas tecnologias. Assim, o parâmetro definidor de tal divisão seria o grau de acumulação da ciência, da tecnologia e da informação pelo território nacional.
Evidências que justificam essa proposta:
- Os dois portos marítimos mais importantes para exportações de mercadorias são os portos de Santos (SP) e de Tubarão (ES);
- Os dois maiores aeroportos internacionais do país são os aeroportos de Guarulhos (SP) e Galeão (RJ);
- Os três estados brasileiros com a maior concentração industrial são os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais;
- As cidades brasileiras que possuem como área de atração todo território nacional são as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.

8. Visão regional (uso de vídeo e som)

Para aplicar seus conhecimentos sobre a divisão política do território brasileiro, os contrastes socioeconômicos e a diversidade ambiental do país, vamos analisar o filme “Sobral – a mulher, a árvore, o chapéu”, da série Paisagens Brasileiras. O vídeo mostra a vida cotidiana da família de uma menina que vive no município de Sobral, no Ceará. O objetivo da aula é a aplicação dos conhecimentos para a interpretação da realidade documentada no filme. Registrem, durante a reprodução do vídeo, os seguintes aspectos:
- A que região brasileira pertence o lugar em que vive a menina?
- Observem os aspectos ambientais, culturais e econômicos.
- Qual a origem de Sobral?
- Como ocorreu o seu desenvolvimento econômico?
- Descreva as condições de vida da família e a divisão de trabalho entre seus membros.
- Aponte semelhanças e diferenças das condições de vida e trabalho dos membros de sua família.
            Vamos escutar a música “Notícias do Brasil”, de Milton Nascimento, prestar atenção na letra e responder as perguntas na página 27 do caderno do aluno:

Uma notícia está chegando lá do Maranhão
Não deu no rádio, no jornal ou na televisão
Veio no vento que soprava lá no litoral
De Fortaleza, de Recife e de Natal
A boa nova foi ouvida em Belém, Manaus,
João Pessoa, Teresina e Aracaju
E lá do norte foi descendo pro Brasil central
Chegou em Minas, já bateu bem lá no sul

Aqui vive um povo que merece mais respeito
Sabe, belo é o povo como é belo todo amor
Aqui vive um povo que é mar e que é rio
E seu destino é um dia se juntar
O canto mais belo será sempre mais sincero
Sabe, tudo quanto é belo será sempre de espantar
Aqui vive um povo que cultiva a qualidade
Ser mais sábio que quem o quer governar

A novidade é que o Brasil não é só litoral
É muito mais, é muito mais que qualquer zona sul
Tem gente boa espalhada por esse Brasil
Que vai fazer desse lugar um bom país
Uma notícia está chegando lá do interior
Não deu no rádio, no jornal ou na televisão
Ficar de frente para o mar, de costas pro Brasil
Não vai fazer desse lugar um bom país

(Repete Última Estrofe)

6 comentários:

  1. puxa me ajudo pra caraba... pra responder a apostila.
    kkk

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  2. vou publicar se blog. isso sim, é que Alto-ajuda.!!!!!!!!!!

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  3. Adorei a postagem, me ajudou bastante pra responder a apostila. Obrigada professora!!!

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  4. não encontrei o q eu prscisava mas o site é muito bom e me ajudou em outras coisas

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  5. vlw voce me ajuda muito para responda a questao da prova

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  6. POR FAVOR SERA Q PODIA ABREVIAR O TEXTO PARA Q FIQUE MAS FACIL

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