quarta-feira, 13 de abril de 2011

Textos para 5a. série / 6o. ano - 2o. bimestre

5. O mundo e suas representações
Profa. Celina – Geografia – 5ª. série

 A cartografia é uma forma de linguagem que busca localizar os fenômenos ocorridos na superfície da Terra e estabelecer relações entre eles. Os mapas são formas de representação da superfície da Terra ou de parte dela; é uma representação seletiva porque apenas alguns elementos da realidade são selecionados na representação gráfica. É importante o domínio sobre essa linguagem na vida cotidiana.

A cartografia na história
Desde os primórdios da história humana, os mais diversos povos buscaram representar graficamente o mundo que conheciam, produzindo mapas que eram utilizados para localizar os fenômenos que consideravam importantes.
Os mapas sempre foram uma representação seletiva da realidade. Isso significa que neles são registrados os fatos que interessam, de acordo com a finalidade do mapa e com as características da sociedade que os produziu.
Exemplos:
- Os povos indígenas da América do Norte desenhavam em peles de animais ou em cascas de árvores uma espécie de zoneamento do território no qual viviam, identificando as áreas de pesca, de caça e de coleta de alimentos;
- Os povos nômades que viviam em deslocamento pelo deserto de Saara, como os tuaregues, costumavam gravar nas pedras as suas constantes rotas;
- Os habitantes originais das Ilhas Marshall, no Oceano Pacífico, orientavam-se nos mares usando curiosos mapas de bambus, como ilustrado na figura “Réplica dos mapas produzidos pelos nativos das Ilhas Marshall” na página 4 no caderno do aluno. Os nativos levavam essas cartas marinhas, confeccionados com bambus entrecruzados, estendidas em suas embarcações. As varetas representam a direção das ondas nas vizinhanças dos arquipélagos, enquanto as pedras marcavam a posição das ilhas.
Os mapas elaborados pelos povos antigos são diferentes entre si porque eles dispunham de tecnologias e materiais diferentes, e desenhavam mapas com finalidades diversas. Assim, para os povos indígenas da América do Norte, o importante era localizar as reservas de alimento; para os povos nômades, o fundamental era mapear os deslocamentos pelo deserto e; para os povos do Pacífico, era preciso se orientar pelos mares.
Os povos no passado produziam mapas representando graficamente aquilo que era importante para as atividades que realizavam.

Os mapas e as fotos de satélites
A idéia dos mapas como representação seletiva da realidade, pode ser apresentada por meio de uma fotografia, tirada por um astronauta, e também através de um mapa político. As imagens espaciais – fotografias – não podem ser utilizadas em lugar dos mapas. As fotografias completam os mapas: a fotografia registra tudo o que é visível na área captada e os mapas só registram os fatos selecionados pelo cartógrafo, como observamos na foto de satélite “Eixo Rio de Janeiro – São Paulo: foto de satélite” e no mapa “Eixo Rio de Janeiro – São Paulo: mapa” nas páginas 6 e 7 no caderno do aluno. Assim, mapas e fotografias são complementares.

6. Orientação relativa: a rosa-dos-ventos

Os movimentos da Terra
Diariamente, enxergamos o Sol “levantar-se” num lado do horizonte, percorrer uma trajetória pelo céu e “esconder-se” do outro lado do horizonte. Trata-se do movimento aparente do Sol: aparente, pois, na realidade, não é o Sol que gira em torno da Terra, mas a Terra que gira em torno do Sol. Por causa disso, muitos povos e civilizações antigas acreditaram que a Terra era o centro do Universo. Este giro é chamado de movimento de translação e se completa em um período de 365 ou 366 dias. Veja as figuras “Movimento aparente do Sol” e “Movimento de translação” nas páginas 10 e 12 no caderno do aluno. O ano bissexto visa sincronizar o calendário convencional com o solar, acrescentando, a cada 4 anos, 1 dia ao ano.
A Terra também gira em torno de si mesma, realizando o movimento de rotação, no sentido anti-horário, que se completa em 23 horas e 56 minutos. Devido ao movimento de rotação, para um observador na superfície, parece que é o Sol que está se movimentando no céu, percorrendo uma trajetória que vai do nascente até o poente. Veja a figura “Movimento de rotação” na página 10 do caderno do aluno.

A rosa-dos-ventos
Entre outras coisas, os mapas servem para definir a posição dos lugares na superfície da Terra. Para determinar a posição relativa de um lugar, ou seja, a posição de um lugar em relação a outro, é preciso usar referências. A trajetória do Sol na abóbada (céu) celeste é a mais importante dessas referências.
O movimento de rotação se realiza no sentido anti-horário, ou seja, no sentido inverso dos ponteiros do relógio. Assim, do ponto de vista de todos os observadores situados na Terra, o Sol parece “nascer” sempre do mesmo lado do horizonte. Esse lado é chamado de leste ou oriente. O lado do horizonte onde o Sol parece “se esconder” é chamado de oeste ou ocidente. A partir da identificação do leste e do oeste, fica fácil localizar o rumo do norte e do sul. Uma pessoa de pé, quando olha para o leste, tem às suas costas o oeste, à sua direita, o sul e, à sua esquerda, o norte. Esses quatro pontos são chamados pontos cardeais. Veja as figuras “Os pontos cardeais” e “A rosa-dos-ventos” na página 13 do caderno do aluno.
Entre o norte (N) e o leste (E) temos o nordeste (NE); entre o sul (S) e o leste (E) temos o sudeste (SE); entre o norte (N) e o oeste (O), o noroeste (NO) e, finalmente, entre o sul (S) e o oeste (O), o sudoeste (SO). Estes pontos são os colaterais ou intermediários e também estão presentes nas bússolas, instrumento inventado pelos chineses há muitos séculos. A agulha da bússola funciona como um ímã, e sempre aponta para o campo magnético da Terra, situado nas proximidades do pólo norte. Estabelecido o rumo do norte, pode-se determinar o rumo dos demais pontos cardeais e colaterais. Para permitir a determinação da posição relativa dos lugares, os mapas devem apresentar a orientação. Por isso, muitas vezes, eles exibem uma seta apontada para o norte, como se fosse a agulha de uma bússola.

A localização relativa
Com base no que aprenderam sobre os pontos cardeais e colaterais, a posição relativa de algumas das cidades do estado de São Paulo, por exemplo, é relativa, ou seja, depende do referencial escolhido. Por exemplo, a cidade A pode estar a norte da cidade B, mas ao sul da cidade C.

7. As coordenadas geográficas

A orientação ou localização relativa tem limites. Ela só faz sentido se utilizarmos um ponto de referência. A rosa-dos-ventos não ajuda quando precisamos determinar a posição de qualquer ponto da superfície da Terra sem tomar um outro ponto como referência. Assim, existem outros tipos de sistema de localização.

A rede de coordenadas geográficas
Veja a seguir, os passos que levaram à construção do sistema de coordenadas geográficas, que conferem a cada lugar da Terra um endereço único:
- No século VI a.C., o filósofo grego Pitágoras chegou à conclusão de que a Terra era uma esfera. Devido à sua curvatura, os navios surgem no horizonte quando se aproximam do litoral, como aparece na figura “Navios surgindo na linha do horizonte” na página 17 do caderno do aluno. De fato, o nosso planeta é uma esfera quase perfeita, apenas ligeiramente achatada nos pólos;
- Sendo uma esfera, a Terra pode ser dividida em duas metades, uma ao norte e outra ao sul da linha divisória. Podemos também traçar círculos paralelos (horizontais) e perpendiculares a esta linha divisória. São as coordenadas geográficas;
- O Equador é a linha imaginária que divide a Terra em duas partes iguais. As linhas imaginárias paralelas ao Equador descrevem círculos chamados de paralelos (linhas horizontais). Os círculos descritos pelos paralelos são tanto menores quanto mais se afastam do Equador para o norte ou para o sul. Todos os pontos atravessados por um paralelo apresentam a mesma distância em relação à linha do Equador, isto é, possuem a mesma latitude. Devido ao formato da Terra, essa distância é medida em graus, minutos e segundos. As latitudes variam entre 0º, na linha do Equador, e 90º, nos Pólos Norte e Sul, como na figura “O equador, os paralelos e os pólos”, na página 19 do caderno do aluno;
- Os meridianos são linhas imaginárias que descrevem semicírculos e se encontram nos pólos (linhas verticais).Todos os meridianos são iguais, isto é, descrevem semicírculos de mesmo tamanho. No século XIX, o meridiano que passa sobre o Observatório de Greenwich foi escolhido como referência para o cálculo da longitude. Assim, as longitudes variam entre 0º, no meridiano de Greenwich, e 180º, no meridiano oposto, para leste e para oeste, como aparece na figura “Greenwich e os meridianos”, na página 20 do caderno do aluno;
- A rede de coordenadas geográficas formada pelos paralelos e meridianos permite a localização de qualquer ponto da superfície da Terra. Todos eles possuem uma latitude, ou seja, uma medida angular em relação à linha do Equador, e uma longitude, uma medida angular em relação ao meridiano de Greenwich.

Latitude, longitude e fusos horários
A rede de coordenadas geográficas permi­te que cada ponto do planeta tenha um ende­reço único e exclusivo. Entretanto, não é sim­ples medir a distância angular de um ponto em direção ao Equador (latitude) ou em rela­ção ao meridiano de Greenwich (longitude). Vamos abordar algumas estraté­gias para a realização deste cálculo.
É possível calcular a latitude com base na observação dos astros no céu. No hemisfério norte, há séculos os viajantes utilizam a Estrela Polar como referência para este cálculo. Nas proximidades do pólo norte, a estrela está acima da cabe­ça do observador; na altura do Equador, a estrela está posicionada na linha do horizonte. Assim, quando um viajante move-se na direção do Pólo Norte, ele enxerga a estrela cada vez mais elevada no céu. No hemisfério sul, os viajantes costumavam utilizar como referência a Cruzeiro-do-Sul, constelação mais pró­xima do Pólo Sul celeste. Com o auxílio de um instrumento chamado astrolábio (página 23 do caderno do aluno), uma espécie de compasso inventado pe­los gregos há mais de 2 mil anos, é pos­sível estabelecer a medida em graus en­tre a estrela-guia e o horizonte e, assim, determinar a distância angular de um certo ponto em relação ao Equador, ou seja, determinar a latitude.
Para calcular a longitude, é preciso con­siderar o movimento de rotação da Ter­ra. Como já foi visto, o nosso planeta re­aliza um giro completo (360°) em torno de si mesmo a cada, aproximadamente, 24 horas. Então, a cada hora, ela gira 15° (360o/ 24 horas = 15°). Para estabe­lecer a longitude de um ponto qualquer da Terra, é preciso saber a hora exata naquele ponto e a hora exata no meridia­no de referência, ou seja, no meridiano de Greenwich. Então, a diferença entre o horário local e o horário de referência pode ser convertida em graus, determi­nando a distância angular que define a longitude. No mapa dos fusos ho­rários, os fusos que estão a leste (direita) de Greenwinch têm as horas adiantadas em relação ao horário de referência mundial, enquanto os fusos a oeste (esquerda), as horas são atrasadas em relação ao horário de Greenwich, como podemos observar no mapa “Fuso horário civil”, na página 25 do caderno do aluno. Os fusos são ajustados em função dos horários ofi­ciais dos países.

8. Os atributos dos mapas

Vamos aprender as regras básicas da representação cartográfica contemporânea. Os mapas, além de serem uma reprodução seletiva da realidade, são também representações convencionais, isto é, obedecem a um conjunto de regras: as convenções cartográficas. Por isso mesmo, a cartografia é expressa por meio de alguns atributos fundamentais, tais como título, legenda e escala. No que diz respeito à escala, vamos apenas introduzir o assunto.

O título e a legenda
Todo bom mapa deve apresentar um título que informe, de maneira sucinta, quais foram os fenômenos da realidade selecionados para representar.
A legenda, por sua vez, é o quadro que explicita o significado dos símbolos e grafismos utilizados no mapa.

A escala
A escala é também um dos atributos fundamentais do mapa. Ela estabelece a correspondência entre as distâncias representadas e as distâncias reais da superfície mapeada.
É preciso reduzir as distâncias reais para poder representar uma cidade, uma região ou o mundo inteiro em um mapa. É importante observar que, para a elaboração de um planisfério, por exemplo, as distâncias reais devem ser reduzidas milhões de vezes.
Há duas classificações de escala: a escala numérica e a escala gráfica.
A escala numérica se trata de uma operação de divisão e que, portanto, existe um numerador e um denominador. O numerador é sempre o número 1, enquanto o denominador varia de acordo com a redução realizada.
Em um mapa em escala 1:1.000.000 (lê-se 1 por um milhão), a superfície representada foi reduzida um milhão de vezes. Em um mapa em escala 1:1.000 (lê-se um para mil), a superfície representada foi reduzida mil vezes. Vamos pensar: qual destes mapas apresenta uma escala menor? Dica: Quanto maior é o denominador, menor é a escala do mapa, pois mais vezes as distâncias reais foram reduzidas para serem representadas no papel. Assim, resposta é 1:1.000.000.
Quando a superfície a ser representada é muito grande, é necessário usar uma escala pequena. Contudo, quando se representa uma superfície relativamente pequena, é possível utilizar uma escala grande.
A escala gráfica é uma linha horizontal dividida em centímetros, que indica diretamente a relação entre as distâncias no mapa e as distâncias correspondentes na realidade. Com ela, é possível medir a distância entre os lugares sem precisar recorrer a cálculos matemáticos.
Para usar a escala gráfica, você mede a distância que aparece na escala (por exemplo, 1cm). Para saber a medida entre duas cidades, você mede com a régua (por exemplo, 6cm). Como na escala aparece 0 – 120km, quer dizer que 1cm vale 120km, assim os 6cm de distância entre as cidades, com a régua no mapa, vale 720km (120 vezes 6).
Observe exemplos de escalas nos mapas das páginas 28, 30, 32 e 33 no caderno do aluno.

9. A cartografia temática

Os mapas podem ser classificados em duas grandes categorias: os mapas de base e os mapas temáticos. Os mapas de base são aqueles cujo objetivo é a representação exata e detalhada da superfície terrestre no que diz respeito à posição, à forma, às dimensões e à identificação dos acidentes no terreno, assim como dos objetos concretos que nele se encontram. Os mapas temáticos, por sua vez, buscam a representação de um ou mais fenômenos e das relações que possam existir entre eles, tendo como base mapas já produzidos.

A cartografia temática
            Como sabemos, os mapas temáticos representam uma imensa variedade de fenômenos, tanto aqueles originados de aspectos do meio natural, quanto do ambiente construído.

Representação qualitativa e quantitativa
            A cartografia temática utiliza-se dos mais diferentes métodos de representação. Dentre eles, o de representação qualitativa, que retrata fenômenos diversos sem que haja relação de tamanho entre eles, e o de representação quantitativa, utilizada para expressar relações de tamanho e proporcionalidade entre os fenômenos.

Um comentário:

  1. Sou sua fã, e leio sempre seus textos, e tive a honra de conhecê-la e trabalhar esse ano com você. bjs
    Nilde

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