segunda-feira, 21 de março de 2011

Textos para 3a. série / Ensino Médio - 1o. bimestre

  1. Regionalização do espaço mundial
Profa. Celina – Geografia – 3ª. Série – EM

Diferenciar critérios de regionalização é um passo importante para a compreensão do espaço mundial. Por ser diferenciado, em função da variedade de elementos da natureza (clima, relevo, solo, vegetação etc.) e das sociedades (produção de riquezas, culturas etc.), o espaço geográfico pode ser dividido e classificado de diferentes modos, em regiões ou grupos de países, levando em conta as diferenças e semelhanças das diversas áreas conforme um critério específico.
Regionalizar um determinado espaço geográfico significa dividir ou agrupar suas partes e regiões de acordo com características comuns. Qualquer regionalização é apenas parcialmente verdadeira, pois quem agrupa ou reúne suas partes o faz de acordo com um interesse específico.
Qualquer conjunto de informações é seletivo e, portanto, não dá conta de mostrar todos os aspectos da realidade. Vamos trabalhar formas de percepção, para que compreendam como todo mapa resulta de uma seleção prévia de informações (o que, no limite, o aproxima de um livro, da televisão, de um artigo de jornal ou notícia de rádio, por exemplo).
Isso quer dizer que, em determinado mapa, apenas alguns fatos são mostrados, enquanto inúmeros outros são deixados de lado. E isso por uma razão muito simples: é impossível representar tudo o que existe em uma área, principalmente em uma imensa região ou em todo o globo, sendo necessário, portanto, uma “filtragem” prévia das informações que se pretende retratar em um mapa. Os mapas “Mundo: divisão dos continentes”, “Mundo: vegetação”, “Mundo: taxa de mortalidade infantil” e “Regionalização do mundo em Norte e Sul” (páginas 3, 4, e 8 no caderno do aluno) apresentam as formas e os critérios de representação mais utilizados para a divisão do mundo, como:
- em continentes (pág. 3);
- de acordo com os aspectos físicos ou naturais (pág. 4);
- de acordo com indicadores sociais, como a taxa de mortalidade infantil (pág. 8);
- em países ricos e pobres;
- grau ou nível de industrialização dos países;
- associações (blocos) econômicas e sociais;
- cultura dos povos (religiões, hábitos e costumes).
            Nenhum tipo de regionalização é melhor que o outro, são formas de compreensão do mundo que vivemos. As várias formas de regionalização do mundo atual decorrem de diferentes critérios utilizados. Isso implica discutir, essencialmente, distintas maneiras de ver e compreender o espaço mundial, uma vez que cada mapa, como instrumento de comunicação e de conhecimento, nos permite relacionar informações e delas tirarmos conclusões a partir dos fatos mapeados.
            O espaço geográfico é um espaço diferenciado em virtude, principalmente, da variedade de elementos da natureza (clima, relevo, solo, vegetação etc.) e das sociedades (produção de riquezas, culturas etc.). Regionalizá-lo, portanto, significa dividi-lo em regiões ou grupos de países, levando em conta as diferenças e semelhanças das diversas áreas, baseando-se, para tanto e principalmente, nas variedades paisagísticas naturais ou na organização socioeconômica. Espaços geográficos grandes ou pequenos podem ser regionalizados, como é o caso de um bairro (dividindo-o em áreas residenciais, industriais e comerciais) ou, ainda, do mundo inteiro (identificando, por exemplo, regiões desenvolvidas e subdesenvolvidas).
            Algumas das mais importantes regionalizações do espaço mundial têm, como base, critérios políticos e socioeconômicos. Os países do mundo podem ser classificados e agrupados em função de sua renda nacional per capita, como acontece, por exemplo, segundo os critérios adotados pelo Banco Mundial. Isso resulta em um tipo de regionalização em que, principalmente nas estatísticas, são representadas as economias classificadas como “baixa renda” e “média renda” (comumente denominadas de “países em desenvolvimento”). Esse grupo inclui 152 países com culturas e níveis de desenvolvimento muito diferentes, compreendendo cerca de 73% das economias do mundo. Muito embora existam debates sobre a adequação do termo “países em desenvolvimento” e fortes críticas com relação à adoção do PNB per capita (e também do PIB per capita) como único indicador de desenvolvimento, a classificação do Banco Mundial é largamente empregada para propósitos operacionais e analíticos, dada sua simplicidade e aparente consistência. Nos dias atuais, talvez a regionalização mais importante seja a que inclui a famosa divisão entre “Norte” (países ricos, desenvolvidos) e “Sul” (países pobres, em desenvolvimento), que expressa uma das formas mais conhecidas de ver a distribuição de riqueza do planeta a partir do processo de concentração de renda que se estabeleceu ao longo do processo histórico e que se cristalizou a partir da segunda metade do século XX (veja o mapa “Regionalização do mundo em Norte e Sul” na página 8).

2. As regiões da ONU

Vamos trabalhar regionalizações do espaço mundial divulgadas largamente pela mídia, procedentes de critérios utilizados pelo Banco Mundial e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD); compreender as principais formas de divisão e agrupamento dos países do mundo, com base na mensuração ou indicação do nível de desenvolvimento ou, em outras palavras, destinadas a retratar e analisar a difusão da pobreza, através de conceitos básicos como PIB, PNB, renda per capita e IDH.
As formas mais usuais de divisão e agrupamento dos países do mundo têm por objetivo retratar a difusão da riqueza e da pobreza e apresentar as desigualdades socioeconômicas entre os países do mundo.
O PIB per capita (como também o PNB per capita) é muito utilizado para mensurar ou indicar o nível de desenvolvimento dos países. Em particular, são utilizados nas estatísticas divulgadas pelo Banco Mundial. Esse banco foi criado em 1945, em Bretton Woods. Com sede em Washington D.C., conta hoje com 184 países-membros e tem como seu principal objetivo a redução da pobreza e a promoção do desenvolvimento sustentável.
Sob sua chancela existe o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird) e a Associação Internacional de Desenvolvimento (AID). O primeiro concede empréstimos e assistência para o desenvolvimento de países de renda média e com bons antecedentes de crédito, obtendo grande parte dos seus fundos da venda de títulos nos mercados internacionais de capital. A AID, por sua vez, desempenha papel importante na missão de reduzir a pobreza, promovendo o progresso econômico e social dos países-membros mediante o financiamento de projetos. A assistência prestada pela AID dirige-se aos países mais pobres, aos quais concede empréstimos sem juros (a maior parte dos seus recursos financeiros é obtida a partir das contribuições dos membros mais ricos e até mesmo de alguns países emergentes).
Três conceitos fundamentais da ciência econômica:
- Produto Interno Bruto (PIB): expressão monetária referente à soma de todos os bens e serviços produzidos durante o ano nos limites territoriais de um país, independentemente da origem dos recursos utilizados;
- Produto Nacional Bruto (PNB): expressão monetária dos bens e serviços produzidos por fatores de produção nacionais, independentemente do território econômico;
- Renda per capita (por cabeça): corresponde ao resultado da divisão da renda total pela população do país (pode ser medida em PIB per capita ou em PNB per capita).
            O crescimento econômico não é necessariamente sinônimo de desenvolvimento. Essa ponderação é muito importante, pois, entre outros aspectos, permitirá a compreensão mais facilmente das limitações do PIB, do PNB e da renda per capita e visualização mais clara sobre a real situação dos países. O desenvolvimento pode ser econômico ou social. Ao crescer, uma economia pode ter parte da sua renda distribuída ou pode, simplesmente, ampliar as desigualdades sociais.
            Embora o PNB e o PIB per capita permitam comparar o grau de riqueza dos países, por se tratar de uma média (divisão do PIB ou PNB pela população total), a renda per capita não exprime a realidade socioeconômica interna dos países, ou seja, ela não informa sobre a desigual distribuição interna da renda, tampouco sobre as condições socioeconômicas e o bem-estar humano nos países.
            O PNUD criou o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) para avaliar o nível de desenvolvimento humano dos países, utilizando como critérios quatro indicadores: expectativa de vida, alfabetização de adultos, taxa bruta de matrícula e PIB per capita em dólares PPC (Paridade do Poder de Compra, que elimina diferenças de custo de vida entre países). Dessa forma, o país que apresentar melhoria nesses índices figurará entre os que de fato estão em desenvolvimento.
            O IDH tem o objetivo de ser um índice (número) que permita indicar e comparar a qualidade de vida da população de 177 países. Também pode ser calculado para um Estado, município ou região. O IDH também tem a particularidade de, ao avaliar a qualidade de vida da população, considerar critérios abrangentes dessa população, uma vez que considera os aspectos econômicos e outras características sociais, culturais e políticas que influenciam a qualidade da vida humana.
O IDH varia de zero (0) – em países com nenhum desenvolvimento humano – a um (1) – em países com desenvolvimento humano total. Países com IDH entre 0 e 0,499 têm um desenvolvimento humano considerado baixo (como, por exemplo, Níger, na África, cujo IDH é 0,374, em dados de 2005). Países com índices entre 0,500 e 0,799 são considerados de médio desenvolvimento humano (é o caso, entre outros, da Colômbia e da China, com IDH de 0,791 e 0,777, respectivamente). Países com IDH superior a 0,800 têm um desenvolvimento humano considerado alto ou elevado; esse é o caso da Islândia, país que ocupa a 1ª. posição no ranking do IDH (0,968), como também o do 70° colocado, o Brasil, com IDH de 0,800, assim considerado pela primeira vez com a publicação do Relatório de desenvolvimento humano 2007-2008 (veja o gráfico “Ranking do bem-estar, 2005” da página 12 do caderno do aluno).
A Região de Sahel ou África Subsaariana, na África, tem o pior IDH do mundo, como vemos no mapa “Mundo: Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), 2005” nas páginas 16 e 17, em vermelho, do caderno do aluno. Corresponde à região do continente africano a sul do Deserto do Saara (por isso, subsaariana). O deserto forma uma barreira natural que divide o continente em duas partes muito distintas quanto ao quadro humano e econômico: ao norte, encontramos uma organização sócio-econômica muito semelhante à do Oriente Médio (mundo islamizado); ao sul, a África Negra, com muitos problemas (miséria, falta de saneamento, etc.).
Entre as principais críticas dirigidas ao IDH, podem ser destacadas: o fato de não levar em conta as formas de distribuição de renda e as diferenças culturais entre as nações. Esse último aspecto, por exemplo, abrange particularidades de comportamento quanto ao consumo e distintos valores que cada sociedade atribui a questões relacionadas à educação e formas de apropriação dos resultados da produção. Desse modo, apesar de ser um importante indicador, o IDH não contabiliza todos os aspectos do desenvolvimento e não aufere a “felicidade” das pessoas, nem indica “o melhor lugar do mundo para se viver”, dado que cada indivíduo e sociedade têm representações distintas sobre o que seja o “bem-estar”.

3. O conflito Norte e Sul

            A Divisão Internacional do Trabalho, ou da Produção, surgiu no final do século XV com a expansão do capitalismo europeu para os outros continentes. As colônias forneciam matérias-primas para as metrópoles, que as manufaturavam e transformavam em produtos industrializados, repassados às colônias. Modernamente, denomina-se Divisão Internacional do Trabalho, a distinção existente entre as nações do globo quanto à organização político-econômica e social, na qual se considera, também, o nível de desenvolvimento socioeconômico da sociedade.
Quanto à forma de organização da sociedade e da economia, ou seja, quanto ao sistema socioeconômico, podemos identificar o capitalismo e o socialismo. O sistema capitalista caracteriza-se pela divisão da sociedade em classes, determinadas pela relação com os meios de produção (as terras, os bancos, as indústrias, o capital). Aqueles que detêm o capital, ou os meios para produzi-lo, constituem a burguesia. A grande parcela da população, destituída dos meios de produção e que tem de vender sua força de trabalho para sobreviver, numa sociedade capitalizada, é o proletariado. É importante compreender a expressão “vender a força de trabalho”, pois, na organização capitalista de produção, o trabalho é remunerado segundo as leis de mercado, baseadas na relação existente entre a oferta e a procura. O trabalho é, portanto, uma mercadoria. Além das classes sociais e da economia de mercado, no capitalismo encontraremos o predomínio da propriedade privada ou particular dos meios de produção. A produção, por sua vez, tem como objetivo a reprodução do capital, ou seja, o lucro. O sistema socialista difere da organização capitalista sobre vários aspectos. Primeiro, a sociedade socialista não está dividida em classes. Os meios de produção permanecem sob a orientação do Estado. Predomina-se a propriedade estatal dos meios de produção. O Estado, além de gerenciar os meios de produção, orienta a produção em função das necessidades da sociedade. A economia é planificada e o conceito de lucro é suprimido.
Quanto ao nível de desenvolvimento econômico, podemos distinguir países desenvolvidos e subdesenvolvidos.
As nações desenvolvidas (também chamados de países centrais – já que estão situados no centro do sistema capitalista) gozam de um padrão de vida elevado para suas populações e concentram grande volume de capital. Destacam-se pelo elevado desenvolvimento econômico, onde os problemas sociais - se existem - são bem menos acentuados. A maior parte dessas nações foram metrópoles, que no passado viviam da exploração do mundo colonial. Constituem centros de difusão tecnológica, a ponto de determinarem as relações no mundo capitalista.
As nações subdesenvolvidas têm presente, em seu quadro socioeconômico, mazelas (desgostos) como as endemias, a subnutrição e um desarranjo social, na maioria dos casos, conseqüência do colapso de suas economias.
Desde a Idade Antiga, é possível observar diferenças econômicas entre os povos. As grandes civilizações da Antigüidade - egípcia, grega, romana, entre outras - exerciam o domínio sobre vastas regiões, delas obtendo produtos agrícolas, óleos, corantes etc. Esses vastos domínios, obtidos na maioria das vezes por meio de campanhas militares, eram de fundamental importância para a economia imperial.
Na Idade Moderna (séc. XVI), a expansão marítima e o conseqüente desenvolvimento comercial das nações ibéricas (Portugal e Espanha) levaram à incorporação do continente americano ao modo de produção européia, em função de suas necessidades mercantis imediatas.
Na Idade Contemporânea, os países industrializados (EUA, Inglaterra, França, Japão etc.) lançaram-se sobre as nações mais atrasadas do globo (América Latina, África, Ásia e Oceania), com a finalidade de assegurar novos mercados e fontes abundantes de matérias-primas industriais, e neles organizaram uma economia voltada para o mercado externo, em detrimento das necessidades locais das áreas ocupadas. Essas colônias se especializaram, assim, na produção de gêneros que interessavam basicamente às grandes metrópoles.
 Após a Segunda Guerra Mundial, a maioria das antigas colônias havia conseguido emancipar-se politicamente; muitas, porém, mantiveram as estruturas de produção do período colonial. A maior parte das colônias, antes da Segunda Guerra Mundial, estava na Ásia e África. As relações entre os jovens países africanos e asiáticos de independência recente, e as antigas metrópoles continuaram praticamente as mesmas, ou seja, apesar da emancipação política, esses países continuaram a exportar matérias-primas agrícolas e minerais e a importar produtos industrializados, pacotes tecnológicos e capitais, em forma de empréstimos. Esse processo, reforçado pelos investimentos externos dirigidos a esses setores, provocou, na quase totalidade dos casos, a degeneração econômica dessas nações, hoje caracterizadas por atraso em sua economia e grandes problemas de cunho social, típicos do subdesenvolvimento.
De modo geral as características dos países subdesenvolvidos são:
• Dependência tecnológica e financeira;
• Economia basicamente agrícola;
• Predomínio da população ativa no setor primário;
• Industrialização incipiente;
• Exportação de matérias-primas agrícolas e/ou minerais;
• Abundante mão-de-obra e baixos salários;
• Forte ação de empresas transnacionais (multinacionais) e;
• Agricultura marcada pela ausência de técnicas.
            Várias denominações surgiram ao longo do tempo para designar os países situados na periferia do sistema capitalista: países subdesenvolvidos (décadas de 1940, 1950 e 1960), países em desenvolvimento (década de 1960 até os dias atuais), países de industrialização tardia e países subdesenvolvidos industrializados (décadas de 1970 e 1980), países do Norte e do Sul (década de 1980), e países emergentes (décadas de 1990 e 2000).
Os países do mundo formam um conjunto bem heterogêneo (diferentes) dificultando a regionalização e a adequação das terminologias para classificá-los.
Com a revisão do processo histórico do subdesenvolvimento e da divisão (ou regionalização) do mundo em países do Norte e do Sul, além de outras denominações dadas ao desigual desenvolvimento entre eles, vamos interpretar o mapa “Emissões de dióxido de carbono, 2004” da página 21 do caderno do aluno. Ele apresenta um olhar sobre o conflito Norte e Sul, os dados das emissões de CO2: identificamos que, com relação à linha divisória Norte e Sul (pode ser observada no mapa “Regionalização do mundo em Norte e Sul”, da página 8 do caderno do aluno), grande parte dos países com as mais elevadas emissões de CO2 em toneladas por habitante está concentrada no Norte. Essa caracterização não é absoluta: o norte da África e Oriente Médio, China e Argentina (em cinza claro) estão fora desse eixo e tem emissões elevadas de CO2. Essa questão do controle das emissões de CO2 na atmosfera constitui um dos conflitos entre o Norte (principalmente por parte dos Estados Unidos) e o Sul. Nas negociações do Protocolo de Kyoto (cidade japonesa), um dos principais pontos discutidos, em 2008, foi a inclusão de países em desenvolvimento, como a China e a Índia, nas metas previstas para a redução daqueles gases (o Protocolo de Kyoto é um tratado internacional sobre redução de emissão de gases do efeito estufa). Em contrapartida, enquanto 35 nações consideradas desenvolvidas estão comprometidas com as metas desse Protocolo, os Estados Unidos (o maior emissor de gás carbônico) não o assinou. O impasse, desde a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, a Rio-92, na qual foi firmada a “Convenção sobre Mudanças Climáticas”, permanece: o compromisso entre os países-membros da ONU de reduzir as emissões de gases que contribuem para o “efeito estufa”.
Outro olhar sobre o conflito Norte e Sul se refere às migrações internacionais, ou seja, ao fluxo intenso de migrantes do Sul para o Norte (mapa “As migrações, final do século XX, na página 23 do caderno do aluno). De acordo com as Nações Unidas, há cerca de 150 milhões de migrantes em todo o mundo. Esse número é duas vezes maior que o de 30 anos atrás. Os principais fluxos migratórios internacionais, da atualidade, são relacionados a fatores de ordem econômica, política, religiosa e étnica. A maior parte dos fluxos migratórios dirige-se para os países desenvolvidos (centrais), pertencentes ao chamado Norte desenvolvido, cuja economia forte e melhores oportunidades de emprego representam atrativos para os imigrantes. Apesar da existência de fluxos migratórios para a Índia e Arábia Saudita, os grandes fluxos dirigem-se para os países do Norte: Estados Unidos (35 milhões) e Europa (56 milhões, destacando-se nesse total França, Alemanha e Reino Unido – Inglaterra), sem considerar as migrações ilegais (estima-se que, a cada ano, os Estados Unidos recebem 300 mil imigrantes ilegais). Tal fluxo tem gerado protestos nos países receptores, embasados na alegação de que o imigrante subtrai postos de trabalho da população local. Entretanto, essa argumentação encobre preconceitos e discriminações, além de estimular a xenofobia, situação que gera hostilidades sistemáticas contra os imigrantes. O sentimento de rejeição contra os imigrantes na Europa não é um fato novo. Ele está em ascensão nos últimos anos: partidos políticos conservadores europeus, de extrema-direita, têm se servido dessa questão nas disputas eleitorais, sensibilizando a população e contribuindo para a exacerbação do racismo que tanto marcou a história de alguns países europeus.
Vamos distinguir os termos migração, emigração e imigração:
- emigrar: deixar um país para ir estabelecer-se em outro;
- imigrar: entrar (num país estranho) para nele viver;
- migração: passagem dum país para outro (um povo ou multidão).
            No conjunto das migrações internacionais existem as voluntárias ou espontâneas e as forçadas.
            Um exemplo de migração forçada é a da região dos Bálcãs. No final do século XX, a região dos Bálcãs (Leste Europeu) foi fragmentada por movimentos nacionalistas e considerada um verdadeiro barril de pólvora étnico, abrigando ondas nacionalistas que embalaram o sonho de uma “Grande Sérvia”, de uma “Grande Albânia” ou de uma Croácia “etnicamente pura”. Em 1995, a Bósnia foi divida numa fragilíssima federação muçulmano-croata da Bósnia-Herzegovina (capital Sarajevo) e na República Servia (capital Pale) dos sérvios-bósnios, onde todo mundo passou a se odiar ainda mais. Todos os lideres dos Bálcãs, fossem sérvios, croatas, muçulmanos ou albaneses, sabiam que apelar para os sentimentos separatistas conduziria fatalmente à política da limpeza étnica tantas vezes praticada entre eles no passado. Tinham consciência que, dada a multiplicidade de etnias que a maioria dos Estados iugoslavos era composta, as declarações de independência desencadeariam as velhas paixões e acirrariam os antigos rancores. Mesmo assim, eles foram em frente e destruíram a República Federada da Iugoslávia, transformando a região inteira num caldeirão alimentado pelo ódio étnico, devido ao deslocamento das populações e pela imigração em massa de milhões de ex-iugoslavos para o exterior (o que terminou por acirrar os movimentos xenófobos na Áustria e na Alemanha recém-unificada). O resultado foi desastroso. Onde até 1990 havia, mal ou bem, um país constituído e em relativa ordem, pronto para poder integrar-se no restante da Europa, se tivesse um pouco mais de paciência, hoje existem seis frágeis repúblicas, a maioria delas empobrecida pelas perdas materiais e pela fuga da população, quando não entregues ao crime organizado, sem contar com um permanente clima de frustração, misturado ao ódio étnico sempre pronto para dar seu sinal de retorno.
            Outro exemplo é do Curdistão, que não existe, nunca viu a sua identidade política reconhecida e, até há bem pouco tempo, mesmo a identidade cultural lhe era negada. Os curdos que inventaram a palavra Curdistão. É um povo tribal que passa o tempo em guerras internas, não se organiza como nação e perde todas as oportunidades de fazer frente aos inimigos comuns, ou de criar uma forte e duradoura identidade política. Assim, os curdos estão distribuídos em outros países, divididos, espalhados. As maiores comunidades vivem hoje no Norte do Iraque, Noroeste do Irã e no Leste da Turquia. Neste último país, o número parece ultrapassar os onze milhões, transformando-se na “pátria curda” por excelência. Só que nenhum destes países tem a mínima intenção de ceder um milímetro, quanto mais um quilômetro, e os curdos continuam a viver como estrangeiros exilados em terras que sempre foram suas. No Iraque, são conhecidas as atrocidades do regime contra os curdos após a invasão do Kuwait. Do lado turco, as coisas não melhoram. A miséria é quase igual, e a fortíssima presença militar, conjugada com as queixas permanentes dos curdos, dão uma triste idéia da sua situação social e política.
Outra localidade com refugiados é a Palestina, localizada ao sul do Líbano e a nordeste da Península do Sinai, entre o Mar Mediterrâneo e o vale do Rio Jordão. Foi conquistada pelos israelitas (mais tarde também conhecidos como judeus) por volta de 1200 a.C., depois que aquele povo se retirou do Egito, onde vivera por alguns séculos. Mas as sucessivas dominações estrangeiras deram início a um progressivo processo de diáspora (dispersão) da população judaica, embora sua grande maioria ainda permanecesse na Palestina. No início do século XX, já existiam na região pequenas comunidades israelitas, vivendo em meio à população predominantemente árabe. A partir de então, novos núcleos começaram a ser instalados, geralmente mediante compra de terras aos árabes palestinos. Durante a Primeira Guerra Mundial, a Turquia lutou ao lado da Alemanha e, derrotada, viu-se privada de todas as suas possessões no mundo árabe. A Palestina passou então a ser administrada pela Grã-Bretanha, mediante mandato concedido pela Liga das Nações. Depois de 1918, a imigração de judeus para a Palestina ganhou impulso, o que começou a gerar inquietação no seio da população árabe. A crescente hostilidade desta última levou os colonos judeus a criar uma organização paramilitar – a Haganah – voltada para a autodefesa e mais tarde também para operações de ataque contra os árabes. A Grã-Bretanha tentou frear o movimento imigratório para não descontentar os Estados muçulmanos do Oriente Médio, com quem mantinha proveitosas relações econômicas; mas viu-se confrontada pela pressão mundial da coletividade israelita e, dentro da própria Palestina, pela ação de organizações terroristas. Após a Segunda Guerra Mundial, o fluxo de imigrantes judeus tornou-se irresistível. Em 1947, a Assembléia Geral da ONU decidiu dividir a Palestina em dois Estados independentes: um judeu e outro palestino. Mas tanto os palestinos como os Estados árabes vizinhos recusaram-se a acatar a partilha proposta pela ONU. Em 14 de maio de 1948, foi proclamado o Estado de Israel, que se viu imediatamente atacado pelo Egito, Arábia Saudita, Jordânia, Iraque, Síria e Líbano (1ª Guerra Árabe-Israelense). Os árabes foram derrotados e Israel passou a controlar 75% do território palestino. A partir daí, iniciou-se o êxodo dos palestinos para os países vizinhos. Atualmente, esses refugiados somam cerca de 3 milhões. Os 25% restantes da Palestina, correspondentes à Faixa de Gaza e à Cisjordânia, ficaram sob ocupação respectivamente do Egito e da Jordânia.

4. Globalização e regionalização econômica
           
            Vamos trabalhar conceitos, mapas e conteúdos fundamentais para que entendam as relações existentes entre a nova regionalização em curso do espaço geográfico mundial (multipolarização) e a reordenação ocorrida na economia-mundo, principalmente a partir do início da década de 1990, em grande parte relacionadas ao fim da bipolaridade geopolítica da velha ordem da Guerra Fria (1947-1989); vamos abordar aspectos políticos, econômicos e culturais desse assunto para propiciar a obtenção de informações acerca das várias formas de regionalização do espaço mundial, estimulando ainda a interpretação, a análise e a relação de informações pertinentes, ampliando as atividades anteriores sobre o tema regionalização do espaço mundial.
            Começaremos organizando as informações que possuem sobre o tema globalização e regionalização. Observem e leiam as legendas dos mapas “A bipolaridade e a ordem westfaliana – 1950-1980”, nas páginas 28 e 29, “Mundo: o surgimento do mundo multipolar – a recomposição das alianças, 1991-2006”, na página 30, “Mundo: as potências do século XXI”, na página 31 e “Principais processos de integração regional, 2007”, na página 33, todos no caderno do aluno. O que vocês conhecem a respeito dos aspectos militares e econômicos dos mundos bipolar e multipolar? O que vocês conhecem a respeito da chamada globalização e dos principais blocos econômicos da atualidade?
            Um mapa só pode ser compreendido se analisado no momento histórico a que se refere e/ou foi elaborado. Isso porque a representação da dinâmica dos países do globo muda com o decorrer da história, não somente em função de novas metodologias e novos conceitos, mas também em virtude das transformações da realidade das sociedades e dos arranjos mundiais de poder (quantas vezes tivemos que jogar mapas e atlas fora, porque eles estavam desatualizados?).
            Nós conceituamos regionalização no primeiro tema estudado. A divisão territorial do trabalho diferencia o espaço geográfico, por isso as mudanças constantes. É o processo de regionalização do espaço geográfico mundial em curso, consolidando a ordem mundial multipolarizada.
Os aspectos socioeconômicos do mundo pós-Guerra Fria, no plano internacional, com o fim do sistema de polaridades definidas ou da ordem mundial bipolar (EUA x URSS), favoreceu o aparecimento de um sistema de polaridades indefinidas ou, em outras palavras, de uma ordem mundial multipolar, caracterizada pela existência de vários pólos ou centros mundiais de poder econômico. A partir da década de 1990, o antigo confronto ideológico (capitalismo versus socialismo ou EUA x URSS) foi substituído por uma acirrada disputa econômica entre países e blocos de países que passaram a se organizar ao redor de três principais centros de poder econômico (Estados Unidos, União Européia e Japão), a chamada tríade do capitalismo mundial. Essa nova realidade guarda relações com a constituição de um espaço global, promovida, em grande parte, pelos avanços tecnológicos da chamada Terceira Revolução Científica e Tecnológica.
Fora do plano econômico e considerando a vida social, cultural e política, a nova ordem mundial, surgida com o fim do socialismo real, resultou no enfraquecimento dos horizontes políticos apoiados nos valores coletivos e sociais, dando lugar, principalmente entre os jovens, à exacerbação de valores individualistas, cujo principal objetivo passou a ser o de “subir na vida”, adotando atitudes de consumo muitas vezes exageradas.
Com a derrocada do socialismo real na União Soviética e, principalmente, após a formação da CEI (Comunidade dos Estados Independentes), que demarcou o fim da antiga superpotência da Guerra Fria, a inter-relação dos mais diferentes atores no cenário mundial – Estados, empresas, organismos internacionais etc. – deixou de sofrer as influências da chamada bipolaridade. Ou seja, desde a década de 1990 até os dias atuais, nas mais diversas regiões do mundo, as questões ou acontecimentos relativos à economia, à geopolítica e às negociações diplomáticas deixaram de ser influenciados direta ou indiretamente apenas por duas superpotências ou dois pólos de forças dominantes.
A expressão Nova Ordem Mundial passou a ser empregada na imprensa (jornais, revistas, televisão etc.) e por estudiosos para nomear um novo arranjo ou composição de forças internacionais que passaram a substituir a “velha ordem mundial”, isto é, aquela que esteve baseada na disputa pelo poder mundial entre Estados Unidos (capitalismo) e União Soviética (socialismo). A partir de então, diante de profundas mudanças processadas no equilíbrio internacional de poder, certos aspectos essenciais da realidade mundial foram alterados, no que diz respeito à correlação de forças econômicas, militares e político-diplomáticas.
Na abertura dessa fase ou período conhecido como “Nova Ordem Mundial”, três aspectos são importantes: econômico, geopolítico e diplomático na realidade internacional, que passaram a contar com o emprego de novos termos, que buscam resumir ou representar suas principais características ou tendências. Embora termos como multipolaridade e unilateralismo possam, em um primeiro momento, parecer antagônicos e excludentes, na verdade eles ajudam a compreender a complexidade da atual ordem mundial:
- Multipolaridade e multipolar: esses termos se contrapõem à expressão bipolaridade e procuram passar a idéia de que, na Nova Ordem Mundial, existem vários pólos ou centros mundiais de poder econômico (principalmente Estados Unidos, União Européia, Japão e China), que muitos estudiosos consideram o aspecto mais expressivo da Nova Ordem Mundial, que se prolonga até os dias atuais;
- Monopolar e unipolar: do ponto de vista do poderio militar, são empregados por muitos observadores e estudiosos para denominar o cenário internacional entreaberto com o fim da Guerra Fria, pois consideram que a Nova Ordem Mundial é monopolar (ou, ainda, unipolar), pois destacam que os Estados Unidos são o único país a exercer o domínio militar no panorama do mundo atual, ou seja, sem a presença de um rival ou oponente capaz de contrabalançar ou equilibrar seu poderio nesse sentido. A Rússia, por exemplo, a principal herdeira da extinta União Soviética e hoje pertencente à CEI, ingressou em uma profunda crise econômica a partir do início da década de 1990, fato responsável, entre outros, pelo enfraquecimento do seu poderio militar. Com isso, em praticamente todo o globo, a superpotência da América do Norte é o único país capaz de sustentar ou realizar intervenções militares em conflitos mundiais importantes.
            A globalização proporciona uma intensificação das trocas comerciais entre diferentes regiões do globo, acompanhada de certas características econômicas que criam dificuldades para uma maior participação dos países subdesenvolvidos no comércio internacional, mantendo suas economias, em grande parte, dependentes das decisões tomadas nos principais centros do capitalismo mundial – Estados Unidos, Europa Ocidental (onde se destacam Alemanha e França) e Japão, a chamada tríade do capitalismo mundial.
            A globalização promoveu maior integração do mercado mundial diante dos avanços tecnológicos nos transportes e nas telecomunicações, ela também acentuou a regionalização ou a fragmentação da economia mundial, pois, desde o final da década de 1980 e início da de 1990, fortaleceu-se a tendência de formação de tratados econômicos regionais entre países, ou seja, a constituição de blocos econômicos. Diante dos quadros competitivos que a globalização impõe, sobretudo a partir desse período, diversos países passaram a se reunir ou agrupar em torno de interesses econômicos comuns, com o objetivo de facilitar e expandir suas trocas comerciais para se fortalecer nesse contexto. Isso significa dizer que, embora a formação de tratados econômicos regionais entre países já se manifestasse antes do final da década de 1980 e início dos anos 1990, a partir desse período verificou-se o fortalecimento desse processo.
            As características das associações econômicas existentes no mundo permitem agrupar quatro tipos de blocos econômicos (referem-se apenas à economia, ao comércio e ao deslocamento de pessoas; quanto ao aspecto militar, cultural, educacional etc., existem outros tipos de acordos realizados entre países ou Estados):
- União aduaneira ou alfandegária: é um acordo de eliminação das barreiras alfandegárias entre países ou Estados e fixação de tarifa comum externa aos países não-membros que negociam com o bloco. A união alfandegária pode formar-se em torno de um grupo de produtos – como carvão, ferro e aço (caso da Ceca) – ou de todos os produtos;
- Zona de livre-comércio: é um acordo de eliminação ou redução de taxas alfandegárias sobre a importação e a exportação de produtos entre os países-membros. No comércio com países não-membros, cada país do bloco possui autonomia para fixar suas tarifas alfandegárias;
- Mercado comum: diz respeito a uma associação comercial de dois ou mais países ou Estados, baseada na eliminação de todas as tarifas alfandegárias, cotas de importação e outros obstáculos, além da livre circulação de pessoas, capitais e serviços entre os países-membros;
- União econômica e monetária: possui as mesmas características do mercado comum, além da adoção de uma moeda comum nos países-membros.
            Exemplos de blocos econômicos:
- A União Européia (UE) é uma organização supranacional dedicada a incrementar a interação econômica e reforçar a cooperação entre seus Estados-membros. Entre outras características que a distinguem dos demais blocos da atualidade, está o fato de outorgar (conceder) a cidadania européia a cidadãos de todos os Estados-membros, permitindo aos europeus maior liberdade para viver, trabalhar ou estudar em qualquer um dos países-membros;
- A Apec (Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico) foi criada no ano de 1989, na Austrália, como um fórum de conversação entre os países-membros da Asean (Associação das Nações do Sudeste Asiático) e seis parceiros econômicos da região do Pacífico, como Estados Unidos e Japão. Porém, apenas no ano de 1994 adquiriu características de um bloco econômico na Conferência de Seattle, quando os membros se comprometeram a transformar o Pacífico em uma área de livre-comércio;
- O Acordo de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta) integra as economias dos Estados Unidos, do Canadá e do México. Iniciado em 1988 por norte-americanos e canadenses, o bloco recebeu a adesão dos mexicanos em 1993. Com ele, consolidou-se um intenso comércio regional na América do Norte para enfrentar a concorrência representada pela União Européia e;
- O Mercosul (Mercado Comum do Sul) é um bloco criado em 1991 pela Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, com o objetivo de reduzir ou eliminar impostos, proibições e restrições entre seus produtos. Em 2004, os países chamados andinos, como Chile, Bolívia, Equador, Colômbia e Peru, associaram-se ao Mercosul. No ano de 2005, a Venezuela buscou sua adesão ao acordo, mas teve de cumprir algumas exigências, como adotar a TEC – Tarifa Externa Comum.
            O processo de globalização gera, contraditoriamente, fragmentações, e tem colaborado com a manutenção de regiões consideradas periféricas na mesma situação, “excluídas” dos principais acordos e vantagens decorrentes da nova organização econômica e política mundial. Observe o mapa da pág. 28: ele retrata a situação dos países do mundo em relação ao número de internautas por cem habitantes. Comparando-o com outros mapas apresentados ao longo deste bimestre, uma característica comum entre eles é a diferença de desenvolvimento e de desigualdades entre grupos de países do mundo, indicando o maior acesso à internet das populações dos países do Norte – os mais desenvolvidos. Comparando com os países do Sul – os em desenvolvimento – constatamos a heterogeneidade deles. A África permite concluir que a globalização ocorre de forma assimétrica – diferente – e, muitas vezes, aumenta a “distância tecnológica” que impera no atual período entre as grandes regiões do globo.
            Alguns processos de reconfiguração espaço-territorial, verificados nas últimas décadas, foram motivados por conflitos geopolíticos ou por conflitos étnico-culturais que se manifestam regionalmente. Trata-se de um tema importante, pois impede que o foco sobre a globalização seja colocado de forma exclusiva em suas dimensões econômicas e financeiras, em detrimento de seus aspectos sociais, espaciais e culturais. A globalização é um fenômeno complexo e multidimensional e não somente de processos econômicos de abertura de mercados ou expansão dos fluxos financeiros internacionais.


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